SE AMOR DISSECO...
(Soneto em decassílabo heróico)
Se Amor disseco, quanta vez me espanto
Da minha mão, cirúrgica, precisa,
Que, mal pressinta Humor, tudo analisa
Serenamente e sem qualquer quebranto...
No mesmo suave Amor que exalto e canto,
Pressinto humano Humor que a "ratio" visa
E que detecto, assim que a mão desliza
Pr`ó despojar desse inventado manto...
Mas, porque o faço tão naturalmente
Como respiro, ou vejo, claramente,
Que vão embranquecendo os meus cabelos
E os dentes me sucumbem, dente a dente...
Como evitá-lo, se a razão não mente,
Porquê escondê-lo, quando eu posso vê-los?
Maria João Brito de Sousa - 10.06.2016 - 15.41h
Imagem - "Anatomia do Coração", Enrique Simonet Lombardo
Como quem respira...
ResponderEliminar... como quem respira, sim, Rogério, mas não me tomes por uma "fria analista", que o não sou! Disseco, no entanto, tudo o que me é humanamente possível dissecar, desde que ao Amor respeite, bem como tudo o que respeite ao ser humano, embora não só.
EliminarAbraço grande!
(sonetos em Word, foi tudo o que hoje consegui fazer. e este foi a minha homenagem a Camões porque tentei - e penso ter tentado bem - seguir-lhe os mais ínfimos acordes musicais... )
A razão não mente
ResponderEliminara alma também não
(a menos que lho ordene o coração)
Por isso me é tão, mas tão precioso o equilíbrio e a harmonia entre eles, Rogério...
EliminarNão resisto a deixar-te aqui uma obra de Wagner que estou agora a ouvir e que considero lindíssima...
Abraço grande!
https://youtu.be/oXQ8Vm6jDuk