DIALOGANDO COM DAVID MOURÃO FERREIRA
E POR VEZES
*
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
PORÉM
*
Noutras vezes, porém, os dias voam
E as noites são parcelas de segundos
No ciclo biológico dos mundos
Que aos sonhos dos humanos não perdoam
*
E, passando a voar, nos atordoam
O estremunhado sono em espasmos fundos,
A nós que aqui provamos ser fecundos
Na esp`rança de que uns deuses se condoam
*
Passageiros da vida, é no naufrágio
Que temos cais seguro e prometido,
Votado e assegurado por sufrágio
*
Da própria natureza que nos gera...
(E não, não nos foi nunca garantido
mais tempo do que o tempo desta espera)
Maria João Brito de Sousa
24.11.2016 - 14.36h
***
É o meu soneto preferido do David Mourão Ferreira, é dos meus poetas preferidos. E este seu soneto é um dos melhores, amiga. Adorei.
ResponderEliminarabraço
Muito obrigada, António!
EliminarO David Mourão Ferreira foi um dos muitos poetas que frequentaram a nossa casa de Algés, mas perdi-lhe o contacto a meio da década de sessenta...
Forte abraço!
Adoro este porém e também o poema do David. Beijinhos e uma festinha demorada na Mistral.
ResponderEliminarTambém gosto muitíssimo deste soneto do DMF, Fashion!
EliminarBeijinho!