GLOSANDO ANTERO DE QUENTAL ii
A UM POETA
SURGE ET AMBULA!
Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,
Acorda! é tempo! O Sol, já alto e pleno,
Afugentou as larvas tumulares…
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno…
Escuta! é a grande voz das multidões.
São teus irmãos que se erguem! são canções…
Mas de guerra… e são vozes de rebate!
Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!
Antero de Quental
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CONVOCATÓRIA
"Tu que dormes, espírito sereno",
Convicto das razões que ora te movem,
Sincero, sonhador, ainda jovem
E, na credulidade, em tudo ameno,
"Acorda! É tempo! O Sol, já alto e pleno",
Afasta as duras penas que nos chovem
Das negras, negras nuvens que promovem
Uma bátega d`água, a medo obsceno!
"Escuta! É a grande voz das multidões"
Que, renegando antigas convenções,
Se lança a conquistar um mundo novo!
"Ergue-te, pois, soldado do Futuro"
E derruba as prisões que, muro a muro,
Sufocam as razões de cada povo!
Maria João Brito de Sousa - 12.03.2017 - 15.57h
“Alucinado”
ResponderEliminarNão acredite no que vê
Não acredite no que sente
Não acredite no que lê
Tudo é obra de demente
Instalados que estamos
Na era da pós-verdade
A toda a hora duvidamos
Dessa imposta realidade
Quem em dúvida não põe
Esta realidade instalada
A si próprio não encontra
Pois ela de todos dispõe
A uma velocidade alucinada
É um outro ser que desponta
Com esta nova infecção,
EliminarCom a T.A. "disparada"
E sem cigarros na mão,
Poeta, eu nem escrevo nada...
Há ainda outra razão
Pr`a sentir-me "desasada";
Os iões em falta estão;
Estou dorida, muito inchada
E até tenho a sensação
De estar mais do que arrasada;
Não tendo concentração,
O melhor é estar calada
E, por antecipação,
Perceber que estou "tramada"...
Maria João
Bom dia, Poeta. Peço desculpa por responder com este sonetilho "desasado" de todo, mas... o que nele digo, é a verdade, confirmada por observação médica e exames auxiliares de diagnóstico. Não me sinto mesmo nada, nada, nada bem. Abraço grande.
“Estados”
ResponderEliminarVão levando a paciência
Devagar, devagarinho
Proporcionam a demência
Sempre com muito jeitinho
Usam tod’a complacência
Com o pobre coitadinho
Pois sabem da indecência
Ao trilhar-lhe o caminho
São o estado providência
Cada vez mais previdente
Ao cuidar do seu umbigo
Não lhe pesa na consciência
O estado da pobre gente
A quem impõem castigo.
Prof Eta
EM PÉSSIMO ESTADO DE SAÚDE
EliminarPeço desculpa, Poeta
Mas, não estando a melhorar,
Não pude atingir a meta,
Nem me atrevo a poetar...
Fui "poeta-providência"
Enquanto o consegui ser,
Mas, hoje, a minha existência,
Mal me permite escrever;
Entre a espada e a parede,
À beira de um esgotamento,
Ando na corda sem rede,
Tendo, por fora e por dentro,
Tanta dor que a dor mal mede
E nem um contentamento...
Maria João
Reiterando o meu pedido de desculpas, informo que as dores ósseas e musculares - para além das do tracto urinário - são tão, mas tão intensas e insuportáveis, que o simples facto de carregar nas teclas as faz aumentar exponencialmente, razão que me levou a retrarir-me e a optar por não teimar em teclar durante todo o dia de ontem, depois de ter vindo da consulta e da farmácia. Hoje, as dores continuam. Deveria manter a minha decisão de não forçar o organismo, mas custar-me-ia muito não tentar responder. Aqui vai, com o abraço de sempre, o sonetilho possível, nas actuais circunstâncias.
“Sombras”
ResponderEliminarSó as sombras não me iludem
Com seu aspecto acinzentado
Ao recorte aproximado aludem
Seguindo-me p’ra tod’o lado
Como guarda-costas fiéis
De segredos e outras estórias
Também usam os meus anéis
E guardam minhas memórias
Se eu durmo estão acordadas
Se acordo assim permanecem
Sem regatear tanto serviço
Nunca as encontrei chateadas
E também nunca se esquecem
Deste permanente compromisso.
DORES
EliminarTanto me custa teclar
Que os versos semelham espadas
Que viessem perfurar
As mãos, pela dor atadas
E... não, não estou a brincar,
Nem são nada exageradas
As descrições que eu deixar,
Aqui mesmo, declaradas
No que possa elaborar,
Mesmo com mãos decepadas,
Quando à custa de o tentar
Consigo deixar gravadas
As palavras que arrancar
Às minhas teclas pesadas...
Maria João
Bom dia, Poeta.
Com o abraço de todos os dias - e com muito esforço, porque a fluidez me exige um mínimo de condições que, de momento, não tenho - aqui vai o sonetilho possível. Sei que não (cor)responde ao seu, senão na declaração de impotência física e anímica, mas foi tudo o que consegui escrever, letrinha a letrinha.
“Selfar”
ResponderEliminarEm busca da felicidade
Decidi ser infeliz
Aliando-me à realidade
Que a felicidade contradiz
Espectro desta sociedade
Que já não é o que diz
Escondendo a ansiedade
Com uma selfie tão feliz
De sorriso escancarado
Para que o mundo veja
Este seu modo de estar
É um mundo transtornado
Tem mais do que deseja
Mas já não consegue amar.
Prof Eta
CRIAR...
EliminarEu, muito pelo contrário,
Decidi-me a ser feliz
Bem perto deste estuário
Que profundamente quis.
Fiz-me cumprir contra horário
Pois, fazendo quanto fiz,
Fiz-me lobo solitário
Pra cumprir-me de raiz.
Amo... e amo com paixão
A justiça, o ritmo, a vida
E até mesmo a solidão,
Desde que subentendida
Como fruto em gestação
E não frustração escondida...
Maria João
Bom dia, Poeta. Não gosto muito - nem pouco... - de "selfar", no sentido que lhe é atribuído e nem sempre sou eu própria o sujeito poético dos meus sonetos, embora o acumular de problemas de saúde e o agravamento dos financeiros tenha contribuído muito, nestes últimos tempos, para que a minha poesia se tornasse um pouco mais egocentrada... mas nem sequer tenho escrito nada que jeito tenha porque a poesia é um complexo "jogo", do ponto de vista neurológico, e quando não estão reunidas as condições mínimas, pouco ou nada consigo poetar. Este sonetilho foi tudo o que me ocorreu em "resposta" ao seu...
Abraço grande!
“Somos instantes”
ResponderEliminarNão quero mais do que quero
Não posso mais do que posso
Por não poder não desespero
Por não querer não destroço
Tudo é vida e tudo é morte
São os mundos paralelos
Joga-se ao azar e à sorte
Lembram-nos ao esquecê-los
Neste sopro que é a vida
E onde parecemos girar
Em torno de leis inconstantes
Nada está ganho à partida
Nem tão pouco ao chegar
Ou sequer nos breves instantes.
"Não quero mais do que quero"
EliminarPara os demais, por igual,
Mas não entro em desespero
Se, outros, me quiserem mal,
Pois, das mil dificuldades
Com que tanta vez me esbarro,
Ralço agora as saudades
De ir fumando um bom cigarro
Foi tal gesto incorporado
No fluir da produção;
"-Por cada verso "fumado"
Cresce a nossa inspiração!"
Postulava O Encantado,
Confirma a neta João...
Maria João
Bom dia, Poeta!
Cá vai com o abraço de sempre!