GLOSANDO ANTERO DE QUENTAL ii

ANTERO DE QUENTAL.jpg


 


A UM POETA


 


SURGE ET AMBULA!


 


Tu, que dormes, espírito sereno,


Posto à sombra dos cedros seculares,


Como um levita à sombra dos altares,


Longe da luta e do fragor terreno,


 


Acorda! é tempo! O Sol, já alto e pleno,


Afugentou as larvas tumulares…


Para surgir do seio desses mares,


Um mundo novo espera só um aceno…


 


Escuta! é a grande voz das multidões.


São teus irmãos que se erguem! são canções…


Mas de guerra… e são vozes de rebate!


 


Ergue-te, pois, soldado do Futuro,


E dos raios de luz do sonho puro,


Sonhador, faze espada de combate!


 


 


Antero de Quental


 


*******


 


CONVOCATÓRIA


 


"Tu que dormes, espírito sereno",


Convicto das razões que ora te movem,


Sincero, sonhador, ainda jovem


E, na credulidade, em tudo ameno,





"Acorda! É tempo! O Sol, já alto e pleno",


Afasta as duras penas que nos chovem


Das negras, negras nuvens que promovem


Uma bátega d`água, a medo obsceno!





"Escuta! É a grande voz das multidões"


Que, renegando antigas convenções,


Se lança a conquistar um mundo novo!





"Ergue-te, pois, soldado do Futuro"


E derruba as prisões que, muro a muro,


Sufocam as razões de cada povo!








Maria João Brito de Sousa - 12.03.2017 - 15.57h











 

Comentários

  1. “Alucinado”

    Não acredite no que vê
    Não acredite no que sente
    Não acredite no que lê
    Tudo é obra de demente

    Instalados que estamos
    Na era da pós-verdade
    A toda a hora duvidamos
    Dessa imposta realidade

    Quem em dúvida não põe
    Esta realidade instalada
    A si próprio não encontra

    Pois ela de todos dispõe
    A uma velocidade alucinada
    É um outro ser que desponta

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    1. Com esta nova infecção,
      Com a T.A. "disparada"
      E sem cigarros na mão,
      Poeta, eu nem escrevo nada...

      Há ainda outra razão
      Pr`a sentir-me "desasada";
      Os iões em falta estão;
      Estou dorida, muito inchada

      E até tenho a sensação
      De estar mais do que arrasada;
      Não tendo concentração,

      O melhor é estar calada
      E, por antecipação,
      Perceber que estou "tramada"...

      Maria João

      Bom dia, Poeta. Peço desculpa por responder com este sonetilho "desasado" de todo, mas... o que nele digo, é a verdade, confirmada por observação médica e exames auxiliares de diagnóstico. Não me sinto mesmo nada, nada, nada bem. Abraço grande.

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  2. “Estados”

    Vão levando a paciência
    Devagar, devagarinho
    Proporcionam a demência
    Sempre com muito jeitinho

    Usam tod’a complacência
    Com o pobre coitadinho
    Pois sabem da indecência
    Ao trilhar-lhe o caminho

    São o estado providência
    Cada vez mais previdente
    Ao cuidar do seu umbigo

    Não lhe pesa na consciência
    O estado da pobre gente
    A quem impõem castigo.

    Prof Eta

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    1. EM PÉSSIMO ESTADO DE SAÚDE

      Peço desculpa, Poeta
      Mas, não estando a melhorar,
      Não pude atingir a meta,
      Nem me atrevo a poetar...

      Fui "poeta-providência"
      Enquanto o consegui ser,
      Mas, hoje, a minha existência,
      Mal me permite escrever;

      Entre a espada e a parede,
      À beira de um esgotamento,
      Ando na corda sem rede,

      Tendo, por fora e por dentro,
      Tanta dor que a dor mal mede
      E nem um contentamento...

      Maria João

      Reiterando o meu pedido de desculpas, informo que as dores ósseas e musculares - para além das do tracto urinário - são tão, mas tão intensas e insuportáveis, que o simples facto de carregar nas teclas as faz aumentar exponencialmente, razão que me levou a retrarir-me e a optar por não teimar em teclar durante todo o dia de ontem, depois de ter vindo da consulta e da farmácia. Hoje, as dores continuam. Deveria manter a minha decisão de não forçar o organismo, mas custar-me-ia muito não tentar responder. Aqui vai, com o abraço de sempre, o sonetilho possível, nas actuais circunstâncias.



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  3. “Sombras”

    Só as sombras não me iludem
    Com seu aspecto acinzentado
    Ao recorte aproximado aludem
    Seguindo-me p’ra tod’o lado

    Como guarda-costas fiéis
    De segredos e outras estórias
    Também usam os meus anéis
    E guardam minhas memórias

    Se eu durmo estão acordadas
    Se acordo assim permanecem
    Sem regatear tanto serviço

    Nunca as encontrei chateadas
    E também nunca se esquecem
    Deste permanente compromisso.

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    Respostas
    1. DORES

      Tanto me custa teclar
      Que os versos semelham espadas
      Que viessem perfurar
      As mãos, pela dor atadas

      E... não, não estou a brincar,
      Nem são nada exageradas
      As descrições que eu deixar,
      Aqui mesmo, declaradas

      No que possa elaborar,
      Mesmo com mãos decepadas,
      Quando à custa de o tentar

      Consigo deixar gravadas
      As palavras que arrancar
      Às minhas teclas pesadas...

      Maria João

      Bom dia, Poeta.
      Com o abraço de todos os dias - e com muito esforço, porque a fluidez me exige um mínimo de condições que, de momento, não tenho - aqui vai o sonetilho possível. Sei que não (cor)responde ao seu, senão na declaração de impotência física e anímica, mas foi tudo o que consegui escrever, letrinha a letrinha.

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  4. “Selfar”

    Em busca da felicidade
    Decidi ser infeliz
    Aliando-me à realidade
    Que a felicidade contradiz

    Espectro desta sociedade
    Que já não é o que diz
    Escondendo a ansiedade
    Com uma selfie tão feliz

    De sorriso escancarado
    Para que o mundo veja
    Este seu modo de estar

    É um mundo transtornado
    Tem mais do que deseja
    Mas já não consegue amar.

    Prof Eta

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    1. CRIAR...

      Eu, muito pelo contrário,
      Decidi-me a ser feliz
      Bem perto deste estuário
      Que profundamente quis.

      Fiz-me cumprir contra horário
      Pois, fazendo quanto fiz,
      Fiz-me lobo solitário
      Pra cumprir-me de raiz.

      Amo... e amo com paixão
      A justiça, o ritmo, a vida
      E até mesmo a solidão,

      Desde que subentendida
      Como fruto em gestação
      E não frustração escondida...

      Maria João

      Bom dia, Poeta. Não gosto muito - nem pouco... - de "selfar", no sentido que lhe é atribuído e nem sempre sou eu própria o sujeito poético dos meus sonetos, embora o acumular de problemas de saúde e o agravamento dos financeiros tenha contribuído muito, nestes últimos tempos, para que a minha poesia se tornasse um pouco mais egocentrada... mas nem sequer tenho escrito nada que jeito tenha porque a poesia é um complexo "jogo", do ponto de vista neurológico, e quando não estão reunidas as condições mínimas, pouco ou nada consigo poetar. Este sonetilho foi tudo o que me ocorreu em "resposta" ao seu...

      Abraço grande!

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  5. “Somos instantes”

    Não quero mais do que quero
    Não posso mais do que posso
    Por não poder não desespero
    Por não querer não destroço

    Tudo é vida e tudo é morte
    São os mundos paralelos
    Joga-se ao azar e à sorte
    Lembram-nos ao esquecê-los

    Neste sopro que é a vida
    E onde parecemos girar
    Em torno de leis inconstantes

    Nada está ganho à partida
    Nem tão pouco ao chegar
    Ou sequer nos breves instantes.

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    1. "Não quero mais do que quero"
      Para os demais, por igual,
      Mas não entro em desespero
      Se, outros, me quiserem mal,

      Pois, das mil dificuldades
      Com que tanta vez me esbarro,
      Ralço agora as saudades
      De ir fumando um bom cigarro

      Foi tal gesto incorporado
      No fluir da produção;
      "-Por cada verso "fumado"

      Cresce a nossa inspiração!"
      Postulava O Encantado,
      Confirma a neta João...

      Maria João


      Bom dia, Poeta!
      Cá vai com o abraço de sempre!

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