GLOSANDO SAÚL DIAS

Julio dos Reis Pereira.jpg


 


JÁ FOSTE RICO E FORTE E SOBERANO


 


 


Já foste rico e forte e soberano,
Já deste leis a mundos e nações,
Heróico Portugal, que o gram Camões
Cantou, como o não pôde um ser humano!

Zombando do furor do mar insano,
Os teus nautas, em fracos galeões,
Descobriram longínquas regiões,
Perdidas na amplidão do vasto oceano.

Hoje vejo-te triste e abatido,
E quem sabe se choras, ou então,
Relembras com saudade o tempo ido?

Mas a queda fatal não temas, não.
Porque o teu povo, outrora tão temido,
Ainda tem ardor no coração.

Saúl Dias, in "Dispersos (Primeiros Poemas)"


 


 


**************************************


 


DEPOIS DE CADA NOVA PROVAÇÃO


 


"Já foste rico e forte e soberano,"


Cruzando o mar remoto dos mil medos,


Das ondas, dos abismos, dos rochedos


Que a tantos provocaram tanto dano.


 


"Zombando do furor do mar insano",


Tentaste ir desvendando os seus segredos


E, conseguiste, embora os mil degredos,


Conhecê-los melhor, ano após ano.


 


"Hoje vejo-te triste e abatido",


Como se toda a gesta o fosse em vão


E vão te fosse o tanto já cumprido,


 


"Mas a queda fatal não temas, não"!


Erguer-te-ás mais forte e aguerrido


Depois de cada nova provação!


 


 


Maria João Brito de Sousa - 26.03.2017 -18.59h


 


 


NOTA - Sául Dias é o pseudónimo literário de Júlio Maria dos Reis Pereira, irmão de José Régio.


O nome que usou enquanto artista plástico foi Julio.


 

Comentários

  1. “Relativismos”

    O eterno nunca o será
    Pois até a eternidade
    Um dia se extinguirá
    Por perder a mocidade

    E o infinito terminará
    Com a sua infinidade
    Pois do início chegará
    A ter imensa saudade

    E a energia produzida
    A uma atroz velocidade
    Esbarrará na comoção

    Tal com é próprio da vida
    Que com sua relatividade
    Relativizará a equação.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. QUE SEJA ETERNO ENQUANTO DURA...

      Alguma coisa perdura,
      Só não sabemos o quê,
      Porque eternidade pura
      Ninguém sabe aquilo que é...

      Muito jura - mas perjura... -
      Quem jura que nela crê
      E há um tanto de loucura
      Em quem tudo eterno vê...

      Milhões de anos durará
      O nosso planeta-mãe,
      Mas um dia morrerá

      Com a vida que contém
      E o seu Sol explodirá;
      Eterno? Só tal vaivém...

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Cá vai, muito do fundo da minha indisposta e dorida "desinspiração", com o forte abraço de sempre.

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  2. Maria joão

    Tudo está mudado
    e não entendo o porquê da mudança,
    mas te espero sempre
    na curva do caminho

    Com ternura

    Maria Luísa

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Já tinha saudades de te ler, Maria Luísa, mas só posso comentar-te como anónima, embora assine no final.

      De momento estou bastante doente, mas visitar-te-ei sempre que puder.

      Enorme abraço.

      Maria João

      Eliminar

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