CONVERSANDO COM JOAQUIM SUSTELO - Cabelos brancos

Eu e Joaquim Sustelo.jpg


 


DEMÃOS DE TINTA


 


Já dei uma demão no meu cabelo 
de tinta que era branca, sem mistura
pintando devagar, com pouco zelo,
manchando a outra que era, negra, escura



Dizem "mais vale sê-lo que par'cê-lo..."
E já pareço. E sou. Alguma alvura,
atesta que há um selo no Sustelo
de algum caminho andado... de lonjura...



Darei outra demão. De forma lenta...
a ver se como esta, bem me assenta,
formando um preto e branco, algo cinzento



Ao fim de três demãos estará pintado.
Mas estarei eu por cá, ou abalado?
Será que o tempo vai... deixar-me tempo?



Joaquim Sustelo



(direitos reservados)


 


********************


 


CONVERSANDO...





O meu, que era de um negro de carvão,


Lá se foi, pouco a pouco acinzentando...


Cedo lhe deram primeira demão,


Há tanto tempo que já nem sei quando...


 


Fosse essa a minha grande frustração,


Fosse esse o tanto que me vai magoando


E eu rir-me-ia, com ou sem razão,


Das mágoas com que a dor me vai brindando.


 


Mais branco do que teu, o meu vai estando


E, a cada dia, mais se vai pintando


Dessa cor branca, a nossa geração,


 


Portanto vai sorrindo e poetando!


Pensa que o teu cabelo branqueando


É sinal de que vives, meu irmão!


 


 


Maria João Brito de Sousa – 05.09.2017 – 15.35h


 


 


 


 

Comentários

  1. “Seremos digitais”

    O espaço no tempo zero
    Foi coisa que ninguém viu
    Mas então eu considero
    Que desde ai o tempo fluiu

    Abriu espaço ao desespero
    Mas nunca o tempo ruiu
    Avançou com muito esmero
    E foi tudo aquilo que se viu

    Chegados à encruzilhada
    Nesta era que é digital
    Muito mais está p’ra vir

    Plasma é a nova estrada
    Onde tu serás imortal
    Zeros e uns a fluir.

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    Respostas
    1. Produzimos espaços digitais

      Quanto a espaço em tempo zero,
      Isso apenas se deduz...
      Deduzo com muito esmero
      Que começasse a haver luz

      Onde nada havia, e espero
      Entender que isso traduz
      Nunca um grande desespero,
      Mas algo que faça jus

      A este imenso universo
      Sempre em contínua expansão,
      Sempre tão uno e disperso

      Nessa infinda vastidão
      À qual junto, agora, um verso
      Sem mudar-lhe a dimensão.

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Aí vai com um abraço grande!

      Eliminar
  2. "É sinal de que vives, meu irmão!"
    Ou irmã, também poderia ser.
    Que com mais uma ou menos demão
    Quão bom é estar vivo. E viver!

    ResponderEliminar

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