CONVERSANDO COM JOAQUIM SUSTELO - Cabelos brancos
DEMÃOS DE TINTA
Já dei uma demão no meu cabelo
de tinta que era branca, sem mistura
pintando devagar, com pouco zelo,
manchando a outra que era, negra, escura
Dizem "mais vale sê-lo que par'cê-lo..."
E já pareço. E sou. Alguma alvura,
atesta que há um selo no Sustelo
de algum caminho andado... de lonjura...
Darei outra demão. De forma lenta...
a ver se como esta, bem me assenta,
formando um preto e branco, algo cinzento
Ao fim de três demãos estará pintado.
Mas estarei eu por cá, ou abalado?
Será que o tempo vai... deixar-me tempo?
Joaquim Sustelo
(direitos reservados)
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CONVERSANDO...
O meu, que era de um negro de carvão,
Lá se foi, pouco a pouco acinzentando...
Cedo lhe deram primeira demão,
Há tanto tempo que já nem sei quando...
Fosse essa a minha grande frustração,
Fosse esse o tanto que me vai magoando
E eu rir-me-ia, com ou sem razão,
Das mágoas com que a dor me vai brindando.
Mais branco do que teu, o meu vai estando
E, a cada dia, mais se vai pintando
Dessa cor branca, a nossa geração,
Portanto vai sorrindo e poetando!
Pensa que o teu cabelo branqueando
É sinal de que vives, meu irmão!
Maria João Brito de Sousa – 05.09.2017 – 15.35h
“Seremos digitais”
ResponderEliminarO espaço no tempo zero
Foi coisa que ninguém viu
Mas então eu considero
Que desde ai o tempo fluiu
Abriu espaço ao desespero
Mas nunca o tempo ruiu
Avançou com muito esmero
E foi tudo aquilo que se viu
Chegados à encruzilhada
Nesta era que é digital
Muito mais está p’ra vir
Plasma é a nova estrada
Onde tu serás imortal
Zeros e uns a fluir.
Produzimos espaços digitais
EliminarQuanto a espaço em tempo zero,
Isso apenas se deduz...
Deduzo com muito esmero
Que começasse a haver luz
Onde nada havia, e espero
Entender que isso traduz
Nunca um grande desespero,
Mas algo que faça jus
A este imenso universo
Sempre em contínua expansão,
Sempre tão uno e disperso
Nessa infinda vastidão
À qual junto, agora, um verso
Sem mudar-lhe a dimensão.
Maria João
Bom dia, Poeta! Aí vai com um abraço grande!
"É sinal de que vives, meu irmão!"
ResponderEliminarOu irmã, também poderia ser.
Que com mais uma ou menos demão
Quão bom é estar vivo. E viver!
Se é, embora muito a custo, por vezes, amigo Francisco!
EliminarO meu fraterno abraço, amigo Francisco!
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