CONCEBO CARTAZES

CONCEBO CARTAZES.jpg


 


CONCEBO CARTAZES


*





Construo castelos. Cristais conspurcados,


Chaves, cadeados, cordéis e camelos.


Compro caramelos contrabandeados,


Compostos cruzados de cobras capelos.


*


Compridos cabelos convergem, cansados;


Crescentes cuidados comportam cutelos.


Ciúmes ou “celos”? Castelhanizados,


Cuidámos, coitados, de compreendê-los.


*


Colava cartazes com cola cuspida.


Comprava comida. Compunha cabazes.


Caminhos capazes? Contente? Cumprida?


*


Cresceste. Crescida, certeira comprazes


Chavões contumazes de comprometida.


Concedo, caída. Concebo cartazes.


*





Maria João Brito de Sousa – 21.07.2018 – 15.21h








(Soneto em verso hendecassilábico com rima encadeada)


 


 


 


 

Comentários

  1. Lindo, Lindo. Lembra tanto a infância. adorei!!!

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    1. Olá, Fashion!

      É autobiográfico, sim. Estende-se desde a minha infância até ao final da minha adolescência e aposta na sonoridade da oclusiva-palatal "c" para se tentar (de)compor melodicamente em soneto.

      Obrigada e um beijinho grande

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  2. Simplesmente belo, fabuloso e perfeito...
    Parabéns Maria João e remeto saudações poéticas

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    1. Muito grata, poeta amigo.

      Para si, o meu fraterno abraço poético.

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  3. "Asas"

    Ganhar asas e... escrever!
    Com leve pena, desenhar
    É uma pena não poder
    Por uns instantes voar

    Ganhar asas e... não perder
    Capacidade de reinventar
    Toda a imensidão do ser
    Que um dia pôde sonhar

    E assim finge voando
    Tudo aquilo que não será
    Enquanto gasta escrevendo

    O que nunca voará
    Resta o que fôr sonhando
    Mas que jamais escreverá.

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    1. WINGS & DREAMS

      "Mas que nunca escreverá",
      Se o talento lhe faltar
      E que frutificará
      Se esse mesmo lhe sobrar,

      Que escrever lhe bastará
      Se tem unhas pra tocar
      Porque muito ainda há
      Pra saber avaliar...

      O que for lhe soará,
      Que eu devo agora passar
      Toda pró lado de lá,

      Pois Morfeu veio chamar,
      Eu disse:- Agora não dá!
      Ele começa a implorar... rsrsrs

      Maria João

      Cá vai,Poeta, com o abraço de sempre!

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  4. "Geringonças"

    Geringonças atacadas
    As que se põem a jeito
    Minorias, majoradas
    Por cada grupo eleito

    O povo em palhaçadas
    Sofre no pêlo o efeito
    Das desgraças aumentadas
    Por comentadores a preceito

    Pagamos o circo completo
    Temos direito a migalhas
    Que sobejam do fartote

    Mas o circo está repleto
    Doutros pulhas e canalhas
    Que assistem do camarote.

    Prof Eta

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    1. "Que assistem do camarote"
      Ao que se passa na arena,
      Bebendo vinho a pipote
      E perspectivando a cena

      Sem que ninguém nunca note
      Quando o discurso se empena
      Ou surge algum piparote
      Se a palavra se envenena...

      Estará o circo repleto,
      Mas... alguns ficam atentos
      E, de modo bem concreto,

      Vão gerando movimentos
      De teor nada secreto;
      Nem todos vão sonolentos.

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Cá vai com o abraço de sempre!

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