A MÃO QUE O VERSO CRIA II

Julgamento de Galileu Galilei.jpg


A MÃO QUE O VERSO CRIA II


*





Nunca a Ciência se cala, quando a mente


É lúcida, saudável, curiosa...


Não sabe ouvi-la, a mente preguiçosa,


Nem a lançada à força, na corrente.


*


 


Não pode ouvi-la a mente que, indolente,


Aceite o dogma, ou fique, presunçosa,


Convicta de que a rosa se fez rosa


Por obra de um processo transcendente.


*


 


Não cala a Ciência a nossa incompletude,


Que a Ciência invade a própria poesia,


Sem roubar-lhe, nem sonho, nem virtude,


*


 


Já que a acrescenta nessa apostasia,


Enquanto a mão que a escreve não se ilude


E será sempre e ainda, a mão que a cria.


*





Maria João Brito de Sousa – 16.08.2018 – 15.53h


 


 


Imagem - Julgamento de Galileo Galilei


 


 

Comentários

  1. Verdade verdadinha
    que um bom fim de Semana
    desejo eu de aqui da Estrelinha

    Beijinhos

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    1. Bom dia, Anjo.

      Que tenhas um feliz e repousante Fim-de-Semana

      Bjinhos

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  2. "Mente saudável, lúcida, curiosa". Lindo poema e verdadeiro.

    A mente que outrora chorou,
    E que muitos dela riu.
    Agora cria versos diversos..
    O importante é o novo que pariu.

    Obrigada pelos "parabéns".

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    1. Obrigada pelas suas palavras.
      Continuo ao seu dispor, conforme lhe disse.

      Abraço

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  3. Bom e feliz Domingo
    e uma noite sossegada...

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    1. Ui, Anjo, já tenho o João Pestana de roda de mim há não sei quanto tempo... bem queria escrever um pouco mais, mas nem ele, nem os olhos deixam...

      Noite serena para ti. Bjinhos.

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  4. Perdi-me por aqui a ler...pela mão do Rogério.
    Maravilhosa a sua poesia.

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    1. Muito obrigada.
      Sei bem que um blog é sempre aquilo que um homem quiser e eu sempre vi o meu como uma espécie de infindo livro em branco... foi exactamente isso, esse apelo constante, que me fez procurar um espaçozinho onde pudesse escrever perdidamente na imensidão da blogosfera.

      Bem haja pelas suas palavras. Bem haja a mão que aqui o trouxe.

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  5. Venho pedir-lhe licença para lhe roubar este soneto para o meu blog. Eu podia roubar-lhe outro, pois há por aqui muitos que são belíssimos, mas este diz-me muito, porque tenho uma formação académica e profissional da área da Ciência e da Técnica.

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    1. Faça favor, Fernando de Sousa Ribeiro.

      Os poemas escrevem-se por mil e uma razões, mas nunca terá valido verdadeiramente a pena tê-los escrito se não forem lidos.
      Este "roubo" deixa-me muito feliz, acredite.

      Envio-lhe um sincero e grato abraço.

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