UM LENÇOL DE ÁGUA PURA E LINHO CRU

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UM LENÇOL DE ÁGUA PURA E LINHO CRU


*


 


 


É lençol de água pura e linho cru,


Este amor que se expande e gratifica,


Que não tem voz, mas te trata por tu


E em ternura te eleva e multiplica,


*


 


Tal qual nasce um menino e, todo nu,


Reduz a nada a extrema dor que implica


O parto, essa memória de baú


Que se relê quando já nada a explica.


*


 


Cobrimo-lo de panos pra que aqueça,


Amparamos-lhe a queda, se tropeça,


Tentamos dar-lhe tudo, nada tendo,


*


 


E o mesmo fazemos, sem sabê-lo,


Se a mão nos obedece ao estranho apelo


De um verso que nos nasce e vai crescendo.


*


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 14.09.2018- 13.14h


 


 


 


 

Comentários

  1. E muito bem
    que Poetar é mesmo assim
    sem fim

    Bom e feliz dia de aqui
    Beijinhos

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    1. Bom dia e uma excelente semana para ti, Anjo

      Poetar não tem fim, mas tem os seus períodos de pousio... ontem, por exemplo, não escrevi nada de nada...

      Beijinhos

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  2. Que dizer deste soneto?
    Deixei-me encantar.
    Abraço e uma boa semana

    Amiga, tenho um blogue só de poesia, no feminino.
    http://amulhereapoesia.blogspot.com/
    Nele têm sido publicados poemas de poetizas portuguesas, brasileiras e de todos os países africanos de expressão portuguesa. Poetizas consagradas e desconhecidas. Com uma pequena biografia de cada vez que publico uma poetisa pela primeira vez. Penso que deve ser o único blog do género na blogosfera. Admiro muito a sua poesia e gostava de a levar para lá. Que me diz?
    Abraço

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    1. Muito contente fico por saber que se deixou encantar por este soneto, Elvira.
      Claro que terei muito gosto em partilhá-lo consigo e com os seus leitores. Se quiser, poderá contactar o Rogério no sentido de obter a minha biografia.

      Um grato abraço.

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