JANELAS II

14568824_rHNs7 (1).jpeg


JANELAS II


*


 


Uma janela aberta, outra fechada,


Outra que sobre o nada se abre, incerta...


Cada qual descoberta, ideia alada


Que à mente estremunhada lança alerta,


 


*


 


Deixando-a, enfim, desperta e acordada


Pois nela debruçada se liberta


E colhe a sua oferta, alvoroçada,


Para lançar-se em estrada agora certa.


*


 


Deu fruto, esta janela. Que colheita!


Alguém que dela espreita encontra nela,


À chama de uma vela, a fenda estreita


 


*


 


 


Sobre um mundo que a aceita e, já sem trela,


Sem arreios, nem sela, desta feita


A cama em que se deita é escolha dela.


 


*


 


Maria João Brito de Sousa – 15.11.2019 – 10.58h


*


 


Soneto em decassílabo heróico com dupla rima encadeada (interna)

Comentários

  1. E que bela Janela nos abres

    Bom fim de Semana aconchegado
    e beijinhos de aqui do Frio brrrrrrrr

    ResponderEliminar
  2. Uma bela janela. Adoro ler os seus sonetos, eu que não sou capaz de rimar nada mais, do que pão com mão.
    Fico contente sempre que vejo um novo poema. Penso que está melhor e isso alegra-me.
    Abraço e bom fim de semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Elvira.

      Peço imensa desculpa por só agora lhe responder. As cefaleias conjugadas com a má aquidade visual, têm-me mantido afastada da caixa de correio electrónico.

      Bom fim-de-semana e um forte abraço amiga

      Eliminar
  3. Boa Semana
    que o sol brilha e aconchega

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. É através desta janela, aberta para o mundo, que tenho o privilégio de ler tão belos Sonetos.
    Doutra forma, talvez nunca tivesse tido e sentido, este enriquecer da alma.
    Obrigada, Maria João, por nos deixar espreitar pela nesga da janela, tudo o que o seu coração sente e nos vai contando.

    Um grande beijinho com votos de melhoras.

    PS- Hoje, o dia é de tristeza colectiva. O nosso mundo ficou mais pobre.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, Janita.

      Respondo-lhe com um enorme atraso e peço-lhe desculpa por isso, mas tem toda a razão; o dia da partida do Zé Mário Branco foi mesmo um dia de tristeza colectiva

      Um grande beijinho

      Eliminar
  5. "Do sentir"

    Aqui não me encontrei
    Mais além estou ausente
    Noutros sítios procurei
    Nada vi de diferente

    Da realidade não sei
    Rebusco a minha mente
    Noutra dimensão aterrei
    Sendo esta onde se sente

    Saúdo o meu novo estar
    Com o espírito a comandar
    Eu à mente já não minto

    Se me perguntam vais ficar
    Estou-me agora a deliciar
    Com tudo aquilo que sinto.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Com tudo aquilo que sinto"
      Faço festas, cumpro lutos
      E aperto uns furos do cinto
      Sempre em gestos resolutos.

      Cumpro o que posso e não minto
      Se afirmo ter atributos
      Com aos enganos me finto,
      Dos subtis aos muito brutos.

      Trago, junto ao coração,
      A voz viva da razão;
      Em havendo uma avaria

      Porque um pulsa de emoção,
      A outra deita-lha a mão
      E eu recupero a harmonia.

      Maria João

      Peço-lhe desculpa pelo imenso atraso, Poeta.

      As dores de cabeça e a falta de vista não me têm permitido vir à caixa de correio.

      Abraço grande!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

SONETO - 8

NAS TUAS MÃOS

MULHER