VISÃO
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VISÃO
*
Resvala-me uma mão, fruto impotente
De um segundo de amarga lucidez
Que me corta a palavra omnipresente
Sem dar-me o benefício de um talvez
*
Resvala-me outra mão, mesmo à tangente
Do verso que empunhara dessa vez,
E não há olhos que lhe façam frente
Nem há tamanho para o que desfez...
*
Noutro segundo, o gesto recomeça
Tomando rumo inverso. Ergue-se a mão.
Pode ser que o poema prevaleça
*
Apesar de inseguro... ou talvez não
Seja a visão a chave desta peça
Que exige muito mais do que visão.
*
Maria João Brito de Sousa - 29.07.2020- 12.05h
Com mais ou menos visão as mãos continuam a criar.
ResponderEliminarBom Dia
L
As mãos, ainda que literalmente possam tombar de cansaço, resistem, L.
EliminarObrigada e um abraço
A poeta que habita a sua alma, vive inspirada, mesmo quando a visão falta, não falta a inspiração.
ResponderEliminarAbraço e saúde
Muito obrigada. Elvira!
EliminarForte abraço e muita saúde!
Um belo momento de poesia
ResponderEliminarque me faz ler e reler tã belo soneto
beijinhos Poeta!
:)
Obrigada, Anónimo!
EliminarAbraço
O anterior coment é meu
ResponderEliminaresqueci de assinar
desculpe
Piedade Sol
http://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/
Desculpe-me Piedade, confundi-a com um pontual visitante que se descobriu anónimo e gostou...
EliminarBeijinho
Até de olhos fechados a poesia da Maria João projecta uma Luz imensamente luzidia e bela.
ResponderEliminarBeijinhos.
Obrigada, Janita!
EliminarBeijinho
Eis que as palavras
ResponderEliminarsão ultrapassadas
pelo sentido profundo
que transportam
Muito belo, isto!
Obrigada, Rogério!
EliminarNo meu humílimo entendimento, foi este um dos grandes legados do Modernismo, a capacidade de as palavras serem ultrapassadas pelo sentido profundo que transportam, abrindo as portas para uma interactividade entre o poema e o seu leitor.
Muitos criticam o soneto pela sua "ultrapassada" literalidade... como podes ver, o soneto pode não ser mesmo nada literal e, ainda assim, ser perfeitamente decifrável... basta lê-lo com o mesmo olhar atento com que o leste.
Abraço
A força das palavras em mais um excelente soneto, que ultrapassa as dificuldades da visão.
ResponderEliminarBeijinho grande, amiga
... eu bem vou tentando que ultrapasse, mas... cada vez me custa mais ver manchas desfocadas em vez de letras...
EliminarBeijinho grande