NEM CALDO FIADO, NEM MEL SEM SABOR!

NEM CALDO FIADO, NEM MEL SEM SABOR!
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(Soneto em verso hendecassilábico)
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Acima hei-de pôr a quem seu caldo entorne
De quem mesa adorne com ranço e bolor!
Sei bem que houve dor, uma dor enorme,
Complexa e disforme. Se inda havia amor...
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Mas sei, sei de cor, não haver quem contorne
Coisa tão conforme com formas de expor
A alma da flor que em todos nós dorme;
Que a dor se transforme em seja o que for!
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Falta-me propor que esse caldo entornado
Seja transformado em mancha incolor,
Não vá o odor denunciá-lo estragado...
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Está posto de lado. Se sobrar vigor,
Renova-se a flor sobre um caule inventado;
Nem caldo fiado, nem mel sem sabor!
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Maria João Brito de Sousa - 27.09.2020 - 13.22h
Imagem retirada daqui
Soneto inspirado numa ladainha rimada da Janita
E que ladainha inspirada
ResponderEliminarnum certo jeito de humor
Bom e feliz dia
Bom dia com alegria e boa Semana, beijinhos
Olá, Anjo!
EliminarJá me tenho perguntado se o sentido de humor não será a última coisa a morrer em nós, por muito que se afirme que é a esperança...
Bom e feliz dia de uma nova semana que se quer sempre cheia de esperança... e humor.
Beijinhos
Gostei deste poema. Destaco o verso "Renova-se a flor sobre um caule inventado", que maravilhosa ideia.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Muito obrigada, L.
EliminarFoi um sonetozito escrito em cima do joelho... mas digo exactamente o que penso
Abraço
Numa volta que dei pelos blogues alheios reparei que este seu soneto já deu que falar. Quando escrevemos algo nunca sabemos que sensibilidades nos lêem, a mais das vezes são de agrado mas outras nem tanto. Certas interpretações, por vezes ao contrário do que pensou o criador, despertam iras imprevisíveis. Também eu já fui atingido pelos maus humores.
EliminarUm abraço
L
Só agora reparei, L.
EliminarNão se preocupe, já estou a começar a habituar-me a quase tudo, sobretudo no que toca à total incompreensão dos meus poemas. Muito mais me custou habituar-me a incompreensão da poesia, no geral, e aguentei-me.
Estou também a aprender que de nada me valeu ter tido o cuidado de mencionar, invariavelmente, o nome (ou o "nickname") da pessoa a quem pretendia homenagear com um soneto e tenho a certeza de ter feito o mesmo sempre que enviei um poema sob a forma de "recado"... se é que alguma vez o fiz pois, a menos que fosse numa brincadeira inocente, não tenho por hábito fazer recados; sou poeta, não sou estafeta nem paquete. Haverá sempre quem entenda que um desabafo ou uma simples reflexão em forma de soneto lhe é especificamente dirigido.
Outro abraço, L.
E...depois de ler o texto de Janita, compreendi bem melhor o seu poema! Muito bom!
ResponderEliminarE, sim, «Antes o caldo entornado»!
Beijo
Muito obrigada, Ana!
EliminarFoi exactamente na sequência da leitura do texto da Janita que me ocorreu este soneto escrito à pressa...
Beijo