NEM CALDO FIADO, NEM MEL SEM SABOR!

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NEM CALDO FIADO, NEM MEL SEM SABOR!
*


 


(Soneto em verso hendecassilábico)
*



Acima hei-de pôr a quem seu caldo entorne


De quem mesa adorne com ranço e bolor!


Sei bem que houve dor, uma dor enorme,


Complexa e disforme. Se inda havia amor...
*


 


Mas sei, sei de cor, não haver quem contorne


Coisa tão conforme com formas de expor


A alma da flor que em todos nós dorme;


Que a dor se transforme em seja o que for!
*


 


Falta-me propor que esse caldo entornado


Seja transformado em mancha incolor,


Não vá o odor denunciá-lo estragado...
*


 


Está posto de lado. Se sobrar vigor,


Renova-se a flor sobre um caule inventado;


Nem caldo fiado, nem mel sem sabor!
*


 


 


Maria João Brito de Sousa - 27.09.2020 - 13.22h


 


 


Imagem retirada daqui


 


Soneto inspirado numa ladainha rimada da Janita


 


 

Comentários

  1. E que ladainha inspirada
    num certo jeito de humor

    Bom e feliz dia
    Bom dia com alegria e boa Semana, beijinhos

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    1. Olá, Anjo!

      Já me tenho perguntado se o sentido de humor não será a última coisa a morrer em nós, por muito que se afirme que é a esperança...

      Bom e feliz dia de uma nova semana que se quer sempre cheia de esperança... e humor.

      Beijinhos

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  2. Gostei deste poema. Destaco o verso "Renova-se a flor sobre um caule inventado", que maravilhosa ideia.
    Um abraço.
    L

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    1. Muito obrigada, L.

      Foi um sonetozito escrito em cima do joelho... mas digo exactamente o que penso

      Abraço

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    2. Numa volta que dei pelos blogues alheios reparei que este seu soneto já deu que falar. Quando escrevemos algo nunca sabemos que sensibilidades nos lêem, a mais das vezes são de agrado mas outras nem tanto. Certas interpretações, por vezes ao contrário do que pensou o criador, despertam iras imprevisíveis. Também eu já fui atingido pelos maus humores.
      Um abraço
      L

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    3. Só agora reparei, L.

      Não se preocupe, já estou a começar a habituar-me a quase tudo, sobretudo no que toca à total incompreensão dos meus poemas. Muito mais me custou habituar-me a incompreensão da poesia, no geral, e aguentei-me.

      Estou também a aprender que de nada me valeu ter tido o cuidado de mencionar, invariavelmente, o nome (ou o "nickname") da pessoa a quem pretendia homenagear com um soneto e tenho a certeza de ter feito o mesmo sempre que enviei um poema sob a forma de "recado"... se é que alguma vez o fiz pois, a menos que fosse numa brincadeira inocente, não tenho por hábito fazer recados; sou poeta, não sou estafeta nem paquete. Haverá sempre quem entenda que um desabafo ou uma simples reflexão em forma de soneto lhe é especificamente dirigido.

      Outro abraço, L.

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  3. E...depois de ler o texto de Janita, compreendi bem melhor o seu poema! Muito bom!
    E, sim, «Antes o caldo entornado»!

    Beijo

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    1. Muito obrigada, Ana!

      Foi exactamente na sequência da leitura do texto da Janita que me ocorreu este soneto escrito à pressa...

      Beijo

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