DIZEM QUE MORREU...

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DIZEM QUE MORREU
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Usado, adulterado, gasto e morto
Está o velho soneto. Dizem, dizem...
Outras mãos haverá que o enraízem
Que as minhas, hoje, pedem-me o conforto
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De uma tarde serena. Olhar absorto,
Peço às horas que passem, que deslizem,
Que, em fraçcões de segundo, mimetizem
A paz da barca que chega a bom porto.
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Desse instante de paz nasce-me um verso
(sei lá quantos segundos já lá vão)
E agora o que ambiciono é o inverso
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Da paz que fui buscar à reflexão:
Parem, mentiras, de embalar meu berço,
Que o soneto está vivo e forte e são!
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Maria João Brito de Sousa
09.10.2020 - 12.10h
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O soneto ainda está na moda e recomenda-se...
ResponderEliminarE o seu é excelente, gostei imenso.
Bom fim de semana, querida amiga Maria João.
Beijo.
Fico-lhe muito grata, Jaime!
EliminarBom fim-de-semana e um beijinho
Há coisas que não morrem, essa tem sido a sua obra, não deixar morrer o soneto.
ResponderEliminarBoa Tarde.
Muito obrigada, L.
EliminarFelizmente não estou sozinha nessa odisseia, mas reconheço que ao soneto tenho dedicado os últimos treze anos da minha vida.
Abraço
Concordo inteiramente que o Soneto é das formas mais interessantes e bonitas de construir um Poema. Nem sempre é fácil, nem toda a gente, por demais, consegue, de modo que fique harmonioso na forma e no conteúdo. Mas lá que é agradável e embeleza a ideia ou sentimento, o conteúdo que se pretende expor, isso é um facto!
ResponderEliminarTodavia o seu valor expressivo e estético não tira a valia de outras formas de materializar a Poesia na escrita. Não será também uma questão de sensibilidade?!
(Dos aspetos que mais valorizo no soneto é a respetiva estruturação. Obriga a uma síntese ideativa e a uma seleção rigorosa das palavras, dos significantes e dos significados. Tudo tem de ficar em 14 versos, devidamente metrificados. É uma estética clássica, comedida.)
Continue a "Sonetar", Se Faz Favor! Que engrandece a Poesia!
Muito obrigada pelas suas palavras, Francisco.
EliminarQuero deixar bem claro que gosto muitíssimo da boa poesia Modernista e Pós-modernista. Cresci entre poetas do Modernismo e foi em verso branco que me expressei durante muitas décadas.
A defesa do soneto não é um capricho meu, acredite. Já quando eu era pequenina e ainda antes de eu nascer, o soneto foi muitíssimo discriminado. Nalguns meios literários, posso garantir-lhe que continua a ser, talvez por ser um modelo formal com 700 anos, considerado um "formato ultrapassado", embora, como é evidente, não esteja, de todo, fora de prazo; aquilo de que o soneto necessita é de quem o saiba trabalhar/criar.
Mas é evidente que, por volta dos meus 55 anos, me apaixonei perdidamente pelo soneto, não será por puro altruísmo literário que tão completamente a ele me entrego... contudo, nesta minha odisseia também há algum altruísmo literário, sim.
O formato é sem dúvida clássico, mas não mais do que um trecho de uma bela sinfonia, pois um bom soneto tem de nos arrebatar de corpo e alma enquanto o escrevemos. Claro que nunca sabemos se iremos, ou não, arrebatar o leitor, mas nós, que os criamos, sentimo-nos libertos, velozes e arrebatados. Alguns nascem em pouquíssimos minutos... ou talvez fossem segundos, quando eu ainda conseguia ver minimamente e não tinha de andar à procura das letras no teclado.
Porém, de forma alguma me passa pela cabeça que o soneto, nos tempos que correm, deva ser colocado acima de todos os outros formatos poéticos; coitado dele que tão maltratado tem sido desde as primeiras décadas do século passado... tudo o que quero é que alguns meios mais intelectuais deixem de o olhar como um formato ultrapassado. Peço que o leiam sem o peso desse preconceito; quero igualdade, não supremacia.
Mais uma vez, muito lhe agradeço e, sim, enquanto a pouca saúde mo permitir, tenciono continuar a "sonetar"
O meu fraterno abraço poético
Muito Obrigado pelos seus esclarecimentos.
Eliminar"...aquilo de que o soneto necessita é de quem o saiba trabalhar/criar."
Enquanto Poetas e Poetisas, como Maria João, "sonetarem", o Soneto não morrerá!
Saudações amistosas e muita saúde.
Sou eu quem muito lhe agradece a atenção que prestou à torrente de palavras que aqui deixei, Francisco.
EliminarFelizmente estou muitíssimo bem acompanhada nesta dura empreitada, mas... confesso que tenho sonhado com a adesão dos poetas mais jovens a esta causa, que por ser artística e cultural não deixa de ser muitíssimo importante.
O meu fraterno abraço poético
Enquanto houver poetisas da sua craveira, o soneto está vi8vo e recomenda-se.
ResponderEliminarAbraço, saúde e bom fim de semana
Muito obrigada, Elvira!
EliminarForte abraço!
vivo.
ResponderEliminarDonde é que saiu aquele 8?
Abraço
Esse oito saiu da tecla que está mesmo, mesmo por cima do i. Não imagina as vezes que isso me aconteceu; ambas estamos diminuídas, em termos de acuidade visual, infelizmente.
EliminarEm grande
ResponderEliminarse escreve a sabedoria
das palavras inspiradas de cada dia
Beijinhos e um bom fim de Semana, e bom dia com alegria MJ
Obrigada, Anjo!
EliminarQue tenhas um muito feliz fim-de-semana!
Beijinhos
Nunca nada morre! Nem o soneto! Apenas se transforma!
ResponderEliminarCom mais este maravilhoso Soneto, a Maria João mostra isso mesmo! No seu caso é ADN manifestado! É diálogo interior naturalmente articulado em palavras!
Beijo por de trás das palavras!
Ora aí está, Lena B.!
EliminarSe o soneto, para soneto poder ser, se não pode transformar muito em termos de forma, há que dar tudo por tudo para o reengendrar em termos de conteúdo no sentido de o transportar através dos séculos! Porque o soneto nos merece esse esforço e porque há cerca de um século que anda a lutar bravamente pela sua sobrevivência, cumprindo sempre o seu dever/destino de transportar beleza e mensagens que conteúdo tenham.
Beijinhos de dentro da palavra
Pelos vistos, continuamos a dizer as mesmas coisas... Estes beijinhos de dentro da palavra e por detrás das palavras fez-me rir imenso, por causa do plural das palavras que esconde o interior de cada uma... Este mundo anda cada vez mais quântico!!! E nós, pobres mortais, andamos a sobreviver em vez de descobrirmos o viver voando e integrando...
EliminarBeijinhos de dentro - do mais interior - de cada palavra com o conteúdo possível!!!
Creio que tens razão, Lena B.
EliminarUsamos transportes diferentes, mas vamos ambas por estradas que desembocam numa mesma praça
Como te disse, sei pouco-muito-pouco-quase-nada de quântica. Meia dúzia de coisitas que aprendi com Neil deGraceTyson e que julgo ter compreendido, não me permitem caminhar por territórios que, por enquanto, só vão estando ao alcance de alguns grandes génios. Creio porém que o mundo sempre foi quântico, nós é que ainda o não sabíamos... nem sabemos ainda, para falar a verdade.
Estando fisicamente muito limitada, só vou até onde os meus sonetos me levarem
Beijinho de dentro da semente, de uma barca em luta contra um tufão (acabei de a deixar no HP) e de um novelo que pode bem ter o tamanho de uma vida (também no HP)
Há coisas que só morrem
ResponderEliminarse as deixarmos morrer
Que não te falte o verbo
Obrigada, Rogério!
EliminarNesta e noutras lutas, não estou sozinha, felizmente.
Forte abraço!