FAGULHA

fagulha.jpg

Mulher Doente

Jan Steen

*

FAGULHA
*


Concentro-me no verso. O corpo inteiro

Impõe-me a desistência pois reclama

Essa concentração que, feita chama,

O transforma em poeta aventureiro
*


Desta vez, vence o corpo, o carcereiro

Que dorido, infectado, cai na cama:

Venceu porque cedeu. Sem barro ou lama

Nem um verso floresce no canteiro
*


Porém, das suas cinzas apagadas

Solta-se a derradeira rebeldia

De uma fagulha dessas mais ousadas
*


Que se evola do corpo que dormia

E se apressa a juntar-se às mais ramadas

Da árvore em que nasce a poesia.
*


 ©Maria João Brito de Sousa



  30.10.2020 - 13.57h


 


Imagem - "Sick Woman" de Jan Havickszoon Steen, retirada daqui

Comentários

  1. Brancas nuvens negras30 de outubro de 2020 às 19:05

    Muito bonito, um poema de resistência. Gostei muito.
    Uma noite descansada
    L

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    1. Obrigada, L.

      Bom dia, que eu chego muito atrasada a estas suas palavras e ainda sonolenta, exausta de tentar manter acesa esta fagulha.

      Forte abraço

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  2. Maria Elvira Carvalho30 de outubro de 2020 às 21:37

    Muito belo.
    Abraço, saúde e bom fim de semana

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  3. Uma árvore de folha perene
    é assim que escreve

    e resiste
    mesmo se débil e triste

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    1. Obrigada pela força, Rogério.

      Não é bem triste que estou; é doente, mesmo. E não me foi nada fácil manter acesa esta teimosa fagulha... o corpo grita-me por cama.

      Forte abraço

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  4. Bom fim de Semana com alegria
    que um sorriso é, bom dia
    até ao poetar um tanto triste

    Beijinhos

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    Respostas
    1. Obrigada e um bom fim-de-semana para ti, Anjo!

      Não, não estou triste, estou com outra malvada infecção e nem sei onde encontrei forças para vir até ao computador.

      Beijinhos

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  5. Querida Maria João, li em silêncio, sentida e respeitosamente, mais este extraordinário soneto. E... nem uma fagulha tenho para acrescentar em palavras...
    Beijo a voar para tentar chegar perto da árvore em que nasce a poesia!
    Obrigada minha Amiga!

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    Respostas
    1. Muito obrigada,


      hoje não sei se ainda arranjo forças para manter acesa esta fagulha, mas farei por isso

      Beijinho

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