FAGULHA

FAGULHA
*
Concentro-me no verso. O corpo inteiro
Impõe-me a desistência pois reclama
Essa concentração que, feita chama,
O transforma em poeta aventureiro.
*
Desta vez, vence o corpo, o carcereiro
Que dorido, infectado, cai na cama;
Venceu porque cedeu. Sem barro ou lama
Nem um verso floresce no canteiro.
*
Porém, das suas cinzas apagadas
Solta-se a derradeira rebeldia
De uma fagulha dessas mais ousadas
*
Que se evola do corpo que dormia
E se apressa a juntar-se às mais ramadas
Da árvore em que nasce a poesia.
*
Maria joão Brito de Sousa - 30.10.2020 - 13.57h
Imagem - "Sick Woman" de Jan Havickszoon Steen, retirada daqui
Muito bonito, um poema de resistência. Gostei muito.
ResponderEliminarUma noite descansada
L
Obrigada, L.
EliminarBom dia, que eu chego muito atrasada a estas suas palavras e ainda sonolenta, exausta de tentar manter acesa esta fagulha.
Forte abraço
Muito belo.
ResponderEliminarAbraço, saúde e bom fim de semana
Obrigada, Elvira!
EliminarAbraço, bom fim-de-semana e muita, muita saúde
Uma árvore de folha perene
ResponderEliminaré assim que escreve
e resiste
mesmo se débil e triste
Obrigada pela força, Rogério.
EliminarNão é bem triste que estou; é doente, mesmo. E não me foi nada fácil manter acesa esta teimosa fagulha... o corpo grita-me por cama.
Forte abraço
Bom fim de Semana com alegria
ResponderEliminarque um sorriso é, bom dia
até ao poetar um tanto triste
Beijinhos
Obrigada e um bom fim-de-semana para ti, Anjo!
EliminarNão, não estou triste, estou com outra malvada infecção e nem sei onde encontrei forças para vir até ao computador.
Beijinhos
Querida Maria João, li em silêncio, sentida e respeitosamente, mais este extraordinário soneto. E... nem uma fagulha tenho para acrescentar em palavras...
ResponderEliminarBeijo a voar para tentar chegar perto da árvore em que nasce a poesia!
Obrigada minha Amiga!
Muito obrigada,
Eliminarhoje não sei se ainda arranjo forças para manter acesa esta fagulha, mas farei por isso
Beijinho