TECENDO MEMÓRIAS

TECENDO MEMÓRIAS
*
Touquinha de renda e botinhas de lã,
Bem mais que uma irmã, vi nela uma prenda
Que sem encomenda chegara bem sã
E certa manhã se me dera em of`renda.
*
A quem não entenda ternura tão sã
Ou a julgue vã e a não compreenda,
Peço que suspenda a versãozinha chã
Da eterna maçã concebida pra venda;
*
Pode ser merenda prá minha memória,
Mas é outra a história desta tecedeira,
Velha fiandeira da causa ilusória
*
Que fia sem glória e de uma outra maneira
Cinzas de lareira numa trajectória
Tão contraditória quanto verdadeira.
*
Maria João Brito de Sousa - 02.10.2020 - 12.00h
IMAGEM - "Le Berceau", Berthe Morisot
Parabéns à tecelã ou tecedeira de mais um ninho poético!
ResponderEliminarMuito obrigada, Francisco!
EliminarQuereria ter ilustrado este soneto com uma fotografia tirada pelo meu pai na Serra de Carnaxide em que apareço ao lado da minha mãe, com a minha irmã ao colo, mas creio que se perdeu nos ficheiros do computador que deixou de funcionar; procurei-a por tudo quanto era canto e não a consegui encontrar...
Forte abraço!
Admiro o poema e partilho a homenagem na compreensão da dor que também já me marcou num caso idêntico.
ResponderEliminarUm abraço
L
Muito obrigada pela apreciação e pela solidariedade, L.
EliminarAbraço
Tecendo memórias em fios de saudade e dor.
ResponderEliminarAbraço
EliminarEstamos sempre à espera que os mais jovens partam depois de nós, amiga... à dor inevitável, soma-se, nestes casos, uma espécie de revolta. Não será muito racional, esta espécie de revolta, mas é humana... e foi isso que senti. É isso que ainda sinto.
Forte abraço
Tecer palavras assim
ResponderEliminarnão é pra comuns
Beijinhos e boa inspiração MJ Bom fim de Semana
Olá, Anjo!
EliminarTecer palavras e ideias é próprio dos poetas. Sou poeta, Anjo. Sou poeta ainda no activo, não posso nem quero parar de tecer...
Obrigada e beijinhos
Linha fina e agulha de 'crochet' resultam num trabalho milimétrico de palavras 'filigranadas' (ou será 'filigrânicas'?) onde o som silencioso das palavras torna visível através da (of)renda!
ResponderEliminarSão 27 palavras sinónimas de SEM palavras!
Beijo transparente na renda 'crochetada'.
Olá, Lena B.
EliminarDos dois adjectivantes que escolheste, prefiro o "filigranadas", o "filigrânicas" não me soa tão harmonioso...
Obrigada e um beijinho tecido em transparência
Magnífico soneto.
ResponderEliminarTambém gostei muito dos vários poemas que li.
Saio daqui de alma cheia...
Bom fim de semana, Maria João.
Beijo.
Seja muito bem-vindo, Jaime!
EliminarGrata pelas suas palavras, envio-lhe um abraço e retribuo os votos de um bom fim-de-semana
Ternura e saudade.
ResponderEliminarQue tão bem escreve a Maria João em forma de soneto.
Beijinhos
Piedade Sol
http://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/
Mais uma vez, obrigada, Piedade.
EliminarO soneto foi a minha última grande paixão; há mais de treze anos que o sirvo quase ininterruptamente; mal de mim se nada tivesse amadurecido ao longo de todo este tempo.
Outro beijinho