CARTA ABERTA A UM BRASIL (TAMBÉM) CONFINADO

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CARTA ABERTA A UM BRASIL (TAMBÉM) CONFINADO
*



É em silêncio que te lembro... e dorme


Ainda o chão solar do teu país


Na sua selva inexplorada, enorme,


Onde o poema ousou lançar raiz
*



À espera de que o verso se transforme


No que, em confinamento, disse e fiz


Pra que o disforme se molde conforme


Chaga que sara e se faz cicatriz
*



E se essa cicatriz profunda for,


Se deixar marca como o mal de amor


Que é indelével, mas nunca insolúvel,
*



Que possa despontar como uma flor


Aquilo que salvarmos desta dor


Que há-de passar pois sempre foi volúvel.
*


 



Maria João Brito de Sousa - 17.02.2021- 09.30h


*


 


Soneto criado para a Antologia Luso-Brasileira "Tanto Mar Entre Nós".


 

Comentários

  1. E aqui está uma carta aberta muito bem redigida! Não lhe falta sentimento, e um lado muito humano que sempre nos faz refletir! Lindíssimo, tens uma forma de escrever que nos enche a alma! Mil beijinhos, minha tão querida amiga, e tem um resto de dia muito sereno!🙏🌻🌷❤

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    1. Muito obrigada, Sandra

      Hoje estou um pouco mais lacónica do que habitualmente. O SARS-CoV-2 bateu à porta dos que me são mais próximos e estou muito preocupada.

      Um grande beijinho para ti

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    2. Minha querida, nrm imagino o quanto deves estar preocupada - e com toda a razão! Vamos acreditar que tudo vai correr bem, a ti e aos teus! De coração, as sinceras melhoras! Um enorme abraço, muita força 🙏❤

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  2. Dir-se-ia que ainda sustenta uma grande ligação ao Brasil tão coloridos são os seus poemas.
    Um abraço
    L

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    1. Nunca estive no Brasil, L., mas todos os dias convivo online com poetas brasileiros e a poesia une as pessoas, bem mais do que possa parecer :)

      Obrigada e um forte abraço

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  3. Não sou Diniz, mas a tão bela dedicatória poética ao nosso Brasil tento de agradecer com esta trova:
    Nossa pátria em sofrimento,
    tal qual todo o povo luso,
    mas há o contentamento
    do fim do tempo confuso.

    Antoni Ferreira
    Belém - Pará - Brasil

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    1. Grata! Muito grata pela sua visita, bem como pela partilha da sua bela trova, poeta amigo António Ferreira!

      Fraterno abraço

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  4. Bom tema, e oportuno desejo
    "Que possa despontar como uma flor"

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    1. Que assim seja, Rogério!

      Sabes, dizem os iniciados e alguns teóricos que vêem as coisas muito "pela rama", que rimar "amor" com "flor" é algo que deve "sempre" evitar-se. Afirmo-te eu, que até os clichés deixam de ser clichés, quando se tem unhas para tocar a guitarra do soneto.

      Abraço grande

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