SERVIDO AO POSTIGO

ao postigo.jpg



SERVIDO AO POSTIGO
*



Trago um soneto servido ao postigo;


Vá prá fila senhor concidadão


Tal qual como se fosse comprar pão


Ou tomar um café... sem um amigo.
*



Adquira um verso ou qualquer outro artigo


Pois passa o meu postigo a ser balcão


De um boteco de esquina sem patrão,


Sem tecto, sem cadeiras, nem abrigo...
*



Vou servir-lho no copo descartável


De um protesto que sei incoerente,


Mas que se vai tornando inevitável
*



Pois já não sei se sei s`inda sou gente


Se apenas sou mais uma variável


De uma curva ascendente ou descendente...
*



Maria João Brito de Sousa - 12.03.2021 - 11.21h
*


 


(em co-autoria com a minha irreverentíssima Musa)


 


 


 

Comentários

  1. Brancas nuvens negras13 de março de 2021 às 10:35

    Brilhante poema, a Musa está de novo ao serviço e ... com vigor.
    Gostei da ideia de vender poemas ao postigo.
    Muito bom. Um abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eheheheh, a Musa voltou de mãos dadas com a Ironia, L.

      Obrigada e outro forte abraço

      Eliminar
  2. Um poema bem ao jeito da nossa atualidade, e muito original! Gostei imenso, assim vale bem a pena estar ao postigo muitos beijinhos, uma tarde tranquila!🌷🌾

    ResponderEliminar
  3. Os ares da Primavera
    fazem maravilhas à inspiração
    e eu posso afirmar
    é a MJ com varinha de condão

    Bom fim de Semana com alegria
    que cheira a Primavera
    e até os Santos dançam

    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ai, Anjo... eu iria jurar que já te tinha agradecido este comentário, mas reparo agora que não... desculpa-me!
      Pode ser que sim, que a proximidade da Primavera seja inspiradora, mas olha que eu sei exactamente o que fez com que a minha Musa viesse a correr ter comigo, neste caso; foi ter percebido que as esplanadas dos cafés só podiam aceitar quatro pessoas sentadas nas mesinhas onde, em tempos, se reunia o nosso saudoso grupinho de "risoterapia". E eu que já me via na "rentrée" das nossas animadas sessões, levei com um balde de água gelada no cocuruto.

      Bem, tu, com os santos, deves poder dançar à vontade, sem riscos de contágio. Infelizmente, as minhas companheiras de café não são nada santas e podem transmitir o vírus como qualquer outro humano mortal. Não vai ser desta que eu desconfino, ai,ai...

      Obrigada e que tenhas uma feliz noite de Sábado

      Beijinhos


      Eliminar
  4. Somos uma "variável e uma incógnita. Um x ou um y qualquer. A dita "Musa" voltou: Incógnita ou variável?! Saúde: que seja uma Certeza!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah, a minha Musa é sempre uma incógnita, mas reconheço-lhe o quase invariável esforço de trabalho; não é tarefa fácil ser-se a força inspiradora de alguém com tantas mazelas físicas, poeta amigo Francisco C. Mata

      Mais uma vez lhe agradeço vivamente a gentileza da leitura e das palavras.
      Retribuo os seus votos de excelente saúde

      Eliminar
  5. Maria Elvira Carvalho13 de março de 2021 às 19:12

    Que bom que a Musa voltou embora eu não tenha dado pela sua falta nos poemas publicados enquanto ela estava de férias.
    Abraço, saúde e bom fim de semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah, mas eu dei, Elvira! Ela andou fugida durante, pelo menos, uns três ou quatro dias...

      Obrigada, amiga!

      Muita saúde e um forte abraço

      Eliminar
  6. Maria João,
    A sua Musa está muito irónica
    Gostei muito deste seu poema, um olhar atento aos tempos anormais que vivemos.
    Já me serviu um poema no jardim, mas se me servir outro ao postigo eu não vou recusar

    Um beijinho, em curva ascendente !

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Peço desculpa pela demora, Blue Bird, mas tenho estado - ainda estou... - no Horizontes da Poesia a trabalhar árdua e apaixonadamente para mais uma Coroa de Sonetos...

      Ah, a minha Musa tem destas coisas

      Muito obrigada por ter lido e gostado do meu soneto servido ao postigo. Nem lhe cheguei a perguntar se queria açúcar ou adoçante, rsrsrsrs

      Um grande beijinho

      Eliminar
  7. Dá este à Laurinda
    Quem nunca ouviu um soneto
    Fica a ele preso
    Pois tem eco na vida

    Abracinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ela já lá o tem, Rogério...

      Todos os meus sonetos têm eco na vida, mas compreendo-te; este tem eco no presente e foca algo por que todos estamos a passar.

      Abração

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

A GESTAÇÃO DO POEMA

SONETO IMPUBLICÁVEL

UM VOO DE PARDAL - Soneto muito ligeiro, dedicado à Ligeirinha