NOS MEUS VERSOS, NOS TEUS DEDOS...

NOS MEUS VERSOS, NOS TEUS DEDOS...
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Nas aves que se soltam dos teus dedos
E pousam nos meus versos de poeta
Sondando e desvendando os seus segredos
Na sua intimidade mais secreta,
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Nesse seu dedilhá-los, loucos, ledos,
Quando bem me sabiam ser discreta,
Devolvem-me antiquíssimos folguedos
E, por momentos, deixam-me completa.
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Sondam-mos verso a verso, toque a toque...
Porquê fugir-lhes quando, não fugindo,
Mais versos nascerão sem que os convoque?
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E por que não frui-los se, fruindo,
Mais rica fico? E basta que os evoque
Pra mais e mais humana me ir sentindo.
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Maria João Brito de Sousa - Março, 2016
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In A CEIA DO POETA - (inédito)
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Imagem - O meu pai, no seu escritório da casa de Algés,
fotografado pela minha mãe. 1950
Lindíssimo de ler. Direi mesmo que BRILHANTE forme de escrever poesia.
ResponderEliminar.
Abraço poético
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Muito grata, Rik@rdo!
EliminarAbraço poético
Um belo poema de homenagem e admiração. A própria foto é um acto poético.
ResponderEliminarUm abraço
L
OBRIGADA, L. :)
EliminarTAMBÉM EU GOSTO MUITÍSSIMO DESTA FOTOGRAFIA DO MEU PAI :)
FORTE ABRAÇO
Imagens poéticas lindíssimas!
ResponderEliminarMuita saúde.
Muito grata, Francisco!
EliminarMuita saúde e um fraterno abraço!
"E por que não frui-los se, fruindo,
ResponderEliminarMais rica fico? E basta que os evoque
Pra mais e mais humana me ir sentindo."
Bela receita
Te fruindo
mais rico
e humano
me sinto
Obrigada, Rogério!
EliminarForte abraço
Que lindo, Maria João!
ResponderEliminarA foto, e o poema de homenagem ao seu pai. Sem dúvida, uma presença constante na sua vida e na sua poesia.
Estive um pouco ausente, de vez em quando "recolho às boxes"
Espero que a amiga esteja melhor da garganta e que a medicação já esteja a fazer algum efeito.
Grande beijinho, feliz sábado!
Obrigada, Blue Bird
EliminarO meu pai era um fabuloso fotógrafo amador e desenhava extraordinariamente bem, mas era francamente medíocre enquanto poeta. O grande, grande poeta era o pai dele, o meu avô...
No entanto, sempre que edito uma foto do meu pai, sinto-o mais presente e vivo em mim. Curiosamente esta é uma fotografia do meu jovem pai tirada pela minha jovem mãe um pouco antes de eu nascer...
Ainda hoje me pergunto por que razão o meu pai abandonou completamente os seus desenhos a carvão; ainda tenho alguns guardados cá em casa e garanto que o traço dele faz lembrar Ingres...
Quando fui pressionada pela dura realidade da sobrevivência, também eu abandonei os meus desenhos e pinturas, mas retomei-os assim que tomei consciência de que me estava a abandonar a mim mesma... Agora não pinto porque não tenho força física para os meus fortes traços a pastel de óleo, mas escrevo sempre que não estou em fase de pousio.
Beijinho grande