SONETO DA IMATERIALIDADE

"O Campo de Marte" - Marc Chagall
SONETO DA IMATERIALIDADE
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Trago a realidade pela trela
Enquanto ela se escapa e se dissolve
Em tudo o que apareça à frente dela:
Quando se for, quem é que ma devolve?
*
Não sei se ela me habita, se estou nela,
Ou se ela é tudo, tudo o que me envolve;
Há sempre, debruçada na janela,
Uma equação que nunca se resolve.
*
Tudo flutua agora em meu redor
Na ausência do melhor e do pior,
Na dispersão dos pontos cardeais...
*
Trago comigo um grão de realidade
Dissolvido num mar que se me evade
Sempre que tento içar-me até ao cais.
*
Maria João Brito de Sousa - 29.10.2021 - 11.30h
*
Sonetos da Matrix
"Na dispersão dos pontos cardeais...", a verdade é que nunca perdemos o norte por muito que já não saibamos se nós próprios ainda somos realidade ___ nos tempos de hoje.
ResponderEliminarGostei muitíssimo deste seu poema.
Um abraço.
Muito obrigada pelas suas palavras, L.
EliminarOs tempos de hoje são tão assustadores quanto fascinantes, pelo menos para mim. Não perderemos o Norte, por muito que os pontos cardeias girem desordenados!
Forte abraço!
Mais um fascinante soneto que muito gostei de ler.
ResponderEliminar.
Votos de um bom fim de semana.
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Obrigada, bom fim-de-semana e um fraterno abraço, Rik@rdo!
EliminarComo diz o nosso amigo Luís — a POESIA abriga-nos da chuva 🌧
ResponderEliminarUm soneto de grande beleza poética.
Abraço forte de um Düsseldorf chuvoso, triste, frio, cinzento escuro.
Muito obrigada pelo que diz deste meu soneto da Matrix, Teresa
EliminarEste florido cantinho em que criei raiz também está "frio, triste, cinzento escuro"... Felizmente há POESIA :)
Abraço
Esse mesmo grão de realidade
ResponderEliminarQue teima em não me largar
Deitei-o na praia da saudade
Inchou-se de mar
e ameaçou-me esmagar
Defendi-me com um sorriso
Aceitou conversar comigo
(e é isso que agora estamos fazendo...)
Cuidado, não deixes que te escape esse último grão de realidade, Rogério. A imaterialidade absoluta pode ser bem mais assustadora do que o grãozinho de realidade que ladra mas não morde...
Eliminar( e continuamos a conversar)