"ENTREI NO CAFÉ COM UM RIO NA ALGIBEIRA"*

LES RACINES - MJBS.jpeg


ENTREI NO CAFÉ...
*



"Entrei no café com um rio na algibeira",


Pedi uma bica que nunca paguei


E sentada nas águas do rio que engendrei


Soltei as palavras numa cachoeira
*


 


Nessa "pororoca" acendi a braseira


Do verso espontâneo que não convoquei;


Fluindo e queimando, assim me encontrei


Suando o floema da antiga palmeira.
*



Nem nuvens, nem estrelas puderam mover-me;


Tudo me jorrava da mente e da derme


De dentro pra fora e de fora pra dentro
*


 


Um pássaro, enfim, quem sabe o não fizesse


Se no rio pousasse e no bico trouxesse


O suave trinado de um canto mais lento.
*


 


Mª João Brito de Sousa


03.11.2021 - 12.30h
*



*Conversando com um verso do poema homónimo de José Gomes Ferreira.


 


 


 

Comentários

  1. Poema lindíssimo, fascinante de ler. Li e reli encantado
    Cumprimentos

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  2. Brancas nuvens negras4 de novembro de 2021 às 15:47

    A imagem mostra um trabalho consistente tal como nos seus poemas. O soneto de hoje com um sabor abrasileirado e com muita imaginação.
    Um abraço
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, L.

      Chego atrasada porque, ontem, os amigos daqui de perto não me deixaram sozinha nem um minuto

      Forte abraço

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  3. Estou a imaginar
    o prazer
    que teria JGF
    em te ler

    O meu
    está implícito

    Abraço em forma de lago

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Espero que sim, Rogério, espero que sim

      Um abraço de asas abertas

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  4. De beleza em beleza
    assim é a nossa MJ com certeza
    nas palavras e nas tintas

    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E cá estou eu, Anjo meu , com tintas, palavras e tudo

      Que tenhas um excelente fim-de-semana.

      Beijinhos

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