COM OS ANOS - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

COM OS ANOS - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa
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COROA
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1.
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Com os anos a gente nem dá conta
Um dia e mais outro lá se vão
Inverno, primavera e o verão
Às vezes mais um dia até encanta
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Contentes quando o sol vem e levanta
Os verdes anos fogem, sem travão
Enruga a pele e ama o coração
E a alma às vezes salta e se agiganta
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Somos tudo: grandeza e poder
Fraqueza, sem pensar mas a fazer
A descida da íngreme ladeira
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Seguimos o caminho sempre em frente
Às vezes sem olhar e de repente
Sem contar, vai-se tudo, a vida inteira
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Custódio Montes
31.1.2022
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2.
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"Sem contar vai-se tudo, a vida inteira"
Se quase por inteiro foi vivida,
Mas isto que nos sobra ainda é vida
Que tenta ir convertendo a tal ladeira
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Num espaço de amizade e brincadeira
Ou mesmo numa rampa tão comprida
Que leve uns anos a ser percorrida
E a lançar-nos, por fim, na ribanceira...
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Por azar e por sorte em simultâneo
Já vi desse penhasco um sucedâneo;
Jovem - tão jovem! - da primeira vez,
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Já nada jovem, quando da segunda...
Passam os anos mas, se a sorte abunda,
Talvez se alongue a rampa... Sim, talvez!
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Mª João Brito de Sousa
31.01.2022 - 14.00h
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3.
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“Talvez se alongue a rampa…sim, talvez”
Enquanto com saúde cá se andar
Estou no hospital a esperar
Consulta e a aguardar a minha vez
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Não tenho mau aspecto e a minha tez
Sem rugas e de aspecto regular
Ninguém descobre em mim um mal-estar
Mas tenho dor nas costas lés a lés
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Não vou ligar agora à minha queixa
E ver se a dor acaba e me deixa
Porque esquecer os males é melhor
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Enquanto cá andarmos dia a dia
Assim a gente tem mais alegria
E não nos lembra tanto a nossa dor
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Custódio Montes
31.1.2022
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4.
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"E não nos lembra tanto a nossa dor"
Enquanto conversamos, como agora...
Pode até ser que a sua vá embora
E, a minha, perca algum do seu ardor
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Que isto, pra mim, também não vai melhor,
E à minha tez, deitá-la-ia fora
Se outra tivesse, mais inspiradora,
Menos inchada e com menor rubor...
*
Mas, meu amigo, s`isto lhe é penoso,
Não escreva porque pode ser perigoso
Esforçar-se em vez de estar a repousar!
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Não se sinta obrigado a responder...
Há-de ter muito tempo pró fazer
Quando essa lombalgia lhe passar!
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Mª João Brito de Sousa
31.01.2022 - 20.22h
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5.
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“Quando essa lombalgia lhe passar”
Há-de ser bem melhor mas por agora
Fraqueza não se quer, que vá embora
Porque a dor não se agrava por pensar
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Até talvez melhore se calhar
Estando distraído hora a hora
E até - é o que penso - não piora
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Que a rima até nos dá para alegrar
Que bom passar o tempo, os nossos dias
Envoltos em poemas e alegrias
A rirmo-nos na vida e a meter graça
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E aos vermos no poema algum talento
Sentimos alegria no momento
E não nos custa o tempo enquanto passa
*
Custódio Montes
31.1.2022
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6.
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"E não nos custa o tempo enquanto passa"
Porquanto a amarga dor, quase esquecida,
Sente-se desprezada e "vai à vida"
Enquanto a minha estrofe a sua enlaça
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E a sua enlaça a minha que acha graça,
Tornando-se a conversa divertida
Muito mais forte do que a dor sentida
Que, enfraquecida, já nos não trespassa...
*
Com os anos, amigo, o que aprendemos!
Somos mais fortes do que a dor que temos;
Palavra com palavra, rima a rima,
*
Podemos muito mais do que o expectável,
Pois trocar dor por riso, assim, saudável,
É obra! E talvez seja uma obra-prima...
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Mª João Brito de Sousa
31.01.2022 - 21.30h
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7.
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“É obra! E talvez seja uma obra-prima…”
A minha não, a sua com certeza
E ao pé da sua a minha trina e reza
Para que puxe a minha mais pra cima
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É claro que a minha também rima
Mas a mesma riqueza não aveza
Eu tento rodeá-la de beleza
E ela à sua sombra se arrima
*
Não estou a gabá-la, é verdade
Nem eu assim o digo por maldade
Digo isto de alma e coração
*
A fazer as coroas foi consigo
Que aprendi e ao sentir o seu abrigo
Ganhei alguma graça e atenção
*
Custódio Montes
31.1.2022
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8.
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"Ganhei alguma graça e atenção"
Tecendo as c`roas de que tanto gosto
Pois rasga-se um sorriso no meu rosto
Quando, ao tecê-las, me encho de paixão
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Já que são arte em plena construção
E nisso, meu amigo, sempre aposto!
Fermentou, com o tempo, o nosso mosto
Já transformado em néctar de eleição...
*
Sou poeta e o poema importa assim,
Ao ponto de eu estar nele e ele em mim
Numa fusão tão pura quanto estranha
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E a si, que sei que entende o que lhe digo,
Só posso agradecer-lhe, meu amigo,
Por dar-me uma alegria tão tamanha.
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Mª João Brito de Sousa
31.01.2022 - 23.00h
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9.
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“Por dar-me uma alegria tão tamanha”
Nos versos que escrevemos debruçados
Na tela que pintamos aos bocados
Para se ver no fim a obra ganha
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O verso dentro dela lá se entranha
Ficando todos eles irmanados
Bem juntos com sorrisos espalhados
Cada um a contar sua façanha
*
A vida continua e nós a ver
Jardins de belas flores a crescer
Metidas lá no meio e a florir
*
Um cravo e uma rosa ou o que for
Alheios à doença e à dor
Envoltos nessa obra a emergir
*
Custódio Montes
1.2.2022
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10.
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"Envoltos nessa obra a emergir"
Tal como emerge o Sol da noite escura,
Em rasgos de talento - ou de loucura...-
Chegam poemas pra nos redimir
*
Dos anos que passaram a fugir
Pela pele engelhada de madura
E duma ou de outra dor qu`inda tortura
Por muito que a queiramos desmentir...
*
Com os anos que passam, também passa
Toda a frescura, agilidade e graça
Próprias da Primavera duma vida
*
E aquilo que se ganha em lucidez
Cresce c`os anos pra murchar de vez
Quando soar a hora da partida.
*
Mª João Brito de Sousa
01.02.2022 - 09.40h
***
11.
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“Quando soar a hora da partida”
Nós já cá não estamos para ver
Que importa a despedida acontecer
Se só já há lembrança à despedida ?
*
É curta esta passagem e a vida
É breve muito breve e o viver
Por tão curto e breve deve ser
Uma etapa de amor e bem vivida
*
Os dias e as noites de passagem
A voar vão e não deixam imagem
Momentos que não vemos nem passar
*
Mas depois ao olharmos de repente
Ficamos a pensar e a nossa mente
Sem tempo passa o tempo a recordar
*
Custodio Montes
1.2.2022
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12.
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"Sem tempo passa o tempo a recordar"
Em viagem pelos anos já passados
Que assim é a memória cujos dados
Ora fazem sorrir, ora chorar...
*
Pra mim, é construção este sonhar
Sem precisar de estar de olhos fechados
Que os versos vão crescendo encadeados
Naquilo que eu sentir quando pensar...
*
Aproveitemos pois estes instantes
Para lembrar-nos do que fomos dantes
E melhor conhecer-nos, no presente,
*
E - por que não? - com esp`rança num futuro
Que seja bem mais justo e menos duro,
Não para nós, mas para toda a gente!
*
Mª João Brito de Sousa
01.02.2022 - 15.30h
***
13.
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“Não para nós, mas para toda a gente”
Que bom que se deseje a vida inteira
Haver apenas gente de primeira
Sem fome, sem miséria somente
*
Com pão, tecto e futuro pela frente
E tempo para andar na brincadeira
Ter calor e conforto à lareira
Sem barreiras e ser independente
*
Os anos passariam devagar
E toda a vida a gente a se lembrar
Daquilo que melhor houve na vida
*
Assim, oh que beleza, era melhor
Viver até ao fim cheios de amor
E menos custaria a despedida
*
Custódio Montes
1.2.2022
***
14.
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"E menos custaria a despedida"
A quem feliz passasse pelos anos,
Sem que a pobreza lhe causasse danos,
Sem que a miséria lhe encurtasse a vida
*
Fosse a riqueza bem distribuída
Por todos os que nascem dos humanos
E fossem seus direitos soberanos
A luz de uma razão jamais perdida...
*
Com os anos ganhamos e perdemos,
Somos fruto daquilo que aprendemos
E enquanto jovens nada nos afronta;
*
Pela vida passamos e corremos
Sem percebermos bem porque vivemos,
"Com os anos a gente nem dá conta"...
*
Mª João Brito de Sousa
01.02.2021 - 17.30h
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Apreciei.
ResponderEliminarDe Custódio Montes retive
Que bom passar o tempo, os nossos dias
Envoltos em poemas e alegrias
A rirmo-nos na vida e a meter graça
Da Maria João retive
Aproveitemos pois estes instantes
Para lembrar-nos do que fomos dantes
E melhor conhecer-nos, no presente,
Longuíssimo mostruário do talento de dois amigos à volta com as palavras. Custódio Montes não conheço mas, felicito-o, à Maria João um abraço pelo talento que já conheço.
Muito obrigada pela parte que me cabe, L.
EliminarAcredite, ou não, esta publicação foi censurada e eliminada do Facebook, tendo-me sido imposto um "castigo" de 24 horas... Ou está meio mundo louco, ou sou eu que não entendo os critérios de "moral e bons costumes" dessa rede social.
Na fotografia, tirada pelo meu pai, estou na Caparica, na praia, junto do Pedrito, o filho de um colega seu. Eu tinha seis anos e ele sete.
No longo poema, não encontro uma única palavra obscena ou ofensiva seja para quem for.
Decididamente, está tudo louco no FB.
Desculpe-me o desabafo.
Um forte abraço
O Facebook é um lugar miserável.
EliminarConcordo, L.! E se é com estratégias deste tipo que os algoritmos do Zurckerberg pretendem melhorá-lo, tudo o que vão conseguir obter é o resultado oposto.
EliminarPintarolas com pinta lá no cimo
ResponderEliminarE pelo que leio
eu também recebi uma advertência no Youtube
por causa do 11 de Setembro , enfim…
Bom e feliz dia com alegria
que o sol porfia, beijinhos
Obrigada pela parte que me cabe nessas pintarolas, Anjo
EliminarAnda tudo doido, anda! Tu recebes advertências e, a mim, eliminam-me uma publicação artística (esta!) e põem-me de castigo durante 24 horas por infringir " a moral e os bons costumes"!
Feliz dia também para ti e para todos os que habitam a tua linda serra!
Beijinhos
Gostei tanto mas confesso que também me perdi na fotografia, adoro fotos de outros tempos!
ResponderEliminarMuitos beijinhos, e parabéns por estas partilhas!🌷
Olá, Sandra
EliminarO ideal seria uma fotografia da infância de cada autor, mas como não tenho nenhuma do poeta Custódio Montes, aproveitei esta em que estou com o Pedrito, filho de um colega do meu pai.
Obrigada pela parte que me cabe!
Beijinho grande
Eu é que agradeço, venham mais fotos beijinhos
EliminarHão-de vir... mas já compreendi que fotos de crianças no Fb, são retiradas de imediato com penalização dos autores "infractores". Deve ser impossível fazer com que os logaritmos entendam que aquelas crianças não correm riscos nenhuns, já que nem o Zurckerberg conseguiu (ainda) inventar uma máquina do tempo que o faça viajar mais de seis décadas em marcha-à-ré para ir raptar as ditas cujas...
EliminarHaja paciência
Beijinhos
Bom resto de Semana
ResponderEliminarbom dia
e com primavera de aqui por companhia ´.*`)
Beijinhos
Bom resto de semana... e de dia, Anjo
EliminarPor aqui já é noite escura e o dia esteve feioso e enevoado...
Beijinhos
Minha querida amiga, a foto está um encanto, tem aquele olhar sincero e directo que mantem até hoje. Além das lindas tranças e de um rosto encantador.
ResponderEliminarFico sempre fascinada com estas coroas, e a vossa capacidade de improvisação e saber.
"Um cravo e uma rosa ou o que for
Alheios à doença e à dor
Envoltos nessa obra a emergir"
Acredito que enquanto escrevem não há dor que resista à vossa inspiração.
Parabéns e beijinhos para ambos
Muito obrigada pela parte que me cabe, Blue Bird!
EliminarSabe que essa fotografia antiga foi censurada no Facebook? Só pode, porque não encontro nos meus sonetos ou nos do poeta Custódio Montes uma única palavra que possa "violar os padrões (morais?) da comunidade".
O que é certo é que as minhas publicações naquele espaço foram removidas dos locais mais visíveis do "feed" de notícias e que assim ficarei até que se completem trinta dias sobre a data desta publicação.
Enfim, embora eu adore as fotografias que o meu pai me tirava quando era pequenina, vou ter de as utilizar apenas aqui, nos blogs. Não as posso mostrar aos amigos que me vão lendo no Fb.
Um grande beijinho