CONVERSANDO SOBRE O TEMPO
CONVERSANDO SOBRE O TEMPO
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Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa
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Chove, muda o tempo, anda tudo a mudar
Sem sol sopra o vento e vem a invernia
Vai longa a manhã é quase meio dia
Cubro o meu chapéu e saio a passear
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Vou neste bocanho, o tempo a melhorar,
Foi-se a tempestade que tanto chovia …
Por sobre o telhado a chuva que caía!
Vou sair agora lá fora e andar
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É assim o tempo muito sol às vezes
Chuva mas bom tempo existe em muitos meses
Andamos ao tempo ao sol ou a chover
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Mas bendito o tempo sem a despedida
Que sem ela o tempo é tempo de vida
E que corra o tempo que tempo é viver
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Custódio Montes
8.11.2021
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Fala-me de um Tempo que é destroutro irmão,
Que comanda e rege as nossas sementeiras
E a dança das foices nas mãos das ceifeiras
Nos campos de trigo, nos templos do pão...
*
Há Sol e há Chuva nesta comunhão
Da Terra e das nuvens que são as torneiras
Das cinzentas nuvens. Riem-se as ribeiras,
Vibra a terra inteira numa comoção!
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Cai agora a chuva sobre o chão que piso,
Vejo abrir-se a terra num largo sorriso
Que inteira me anima, que me faz sorrir
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E quase me irmana à chuva redentora
Da sedenta fauna, da mortiça flora;
Sê bem-vinda, ó chuva que vejo cair...
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Mª João Brito de Sousa
05.03.2022 - 18.00h
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A chuva é redentora e tão necessária. "Comanda as nossas sementeiras", como o sol que é a vida, e até podia ser deus, ou ser o sorriso de cada um de nós. Gostei tanto da vossa conversa sobre o tempo. Afinal, em cada dia que passa, quando nos levantamos, é aquilo que primeiro que queremos ver: se está sol. E maravilhamo-nos sempre.
ResponderEliminarUma boa semana com muita saúde, minha Amiga Maria João.
Um beijo.
Muito obrigada pela parte que me cabe nesta banalíssima conversa entre sonetos, Graça!
EliminarO soneto do poeta Custódio Montes foi escrito num dia de chuva com pequenas abertas - os "bocanhos" que ele refere - e o meu num dia em que chovia torrencialmente, pelo menos aqui, na Linha de Cascais.
Um beijo
E esperamos Neve
ResponderEliminarque até o frio se atreve
Boa Semana pra vocês, beijinhos de aqui MJ
Brrrr... já nem me atrevo a refilar com o friiiiiio, Anjo meu
EliminarPrecisamos de água e a neve é água no seu estado sólido... ou semi-sólido. Mas H2O, é!
Beijinhos daqui, enrolados em camisolas, casacos e mantas
Quase uma oração a pedir chuva (salvo seja).
ResponderEliminarUm abraço.
L
:) Obrigada pela parte que me cabe, L.
EliminarNão sei se oração, se dança da chuva, rsrsrs... A verdade é que escrevi esse soneto/resposta enquanto chovia copiosamente sobre Oeiras e estava feliz , muito feliz, solidária e quase irmanada com as nossas terras crestadas e sedentas.
Forte abraço!
Falo-te de um Tempo que não é dessoutro irmão,
ResponderEliminarQue já não comanda e rege as nossas sementeiras
E a dança das foices roubadas das mãos das ceifeiras
Nos campos onde já não há trigo, nos templos do perdido pão...
Triste a minha quadra?
Mas retrata
o que no Alentejo se passa
pra nossa mágoa
Abraço triste
Eu sei, Rogério, eu sei...
EliminarEu e o Custódio Montes falámos das nossas reminiscências, só a bátega de chuva do último soneto é real e muito, muito recente. Foi, aliás, descrita em tempo real.
Abraço forte, embora também triste