CONVERSANDO SOBRE O TEMPO

 


CONVERSANDO SOBRE O TEMPO
*



Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa
*


 


Chove, muda o tempo, anda tudo a mudar


Sem sol sopra o vento e vem a invernia


Vai longa a manhã é quase meio dia


Cubro o meu chapéu e saio a passear
*



Vou neste bocanho, o tempo a melhorar,


Foi-se a tempestade que tanto chovia …


Por sobre o telhado a chuva que caía!


Vou sair agora lá fora e andar
*



É assim o tempo muito sol às vezes


Chuva mas bom tempo existe em muitos meses


Andamos ao tempo ao sol ou a chover
*



Mas bendito o tempo sem a despedida


Que sem ela o tempo é tempo de vida


E que corra o tempo que tempo é viver
*



Custódio Montes


8.11.2021
*


***


Fala-me de um Tempo que é destroutro irmão,


Que comanda e rege as nossas sementeiras


E a dança das foices nas mãos das ceifeiras


Nos campos de trigo, nos templos do pão...
*



Há Sol e há Chuva nesta comunhão


Da Terra e das nuvens que são as torneiras


Das cinzentas nuvens. Riem-se as ribeiras,


Vibra a terra inteira numa comoção!
*



Cai agora a chuva sobre o chão que piso,


Vejo abrir-se a terra num largo sorriso


Que inteira me anima, que me faz sorrir
*



E quase me irmana à chuva redentora


Da sedenta fauna, da mortiça flora;


Sê bem-vinda, ó chuva que vejo cair...
*


 


Mª João Brito de Sousa


05.03.2022 - 18.00h
***


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Comentários

  1. A chuva é redentora e tão necessária. "Comanda as nossas sementeiras", como o sol que é a vida, e até podia ser deus, ou ser o sorriso de cada um de nós. Gostei tanto da vossa conversa sobre o tempo. Afinal, em cada dia que passa, quando nos levantamos, é aquilo que primeiro que queremos ver: se está sol. E maravilhamo-nos sempre.
    Uma boa semana com muita saúde, minha Amiga Maria João.
    Um beijo.

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    Respostas
    1. Muito obrigada pela parte que me cabe nesta banalíssima conversa entre sonetos, Graça!

      O soneto do poeta Custódio Montes foi escrito num dia de chuva com pequenas abertas - os "bocanhos" que ele refere - e o meu num dia em que chovia torrencialmente, pelo menos aqui, na Linha de Cascais.

      Um beijo

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  2. E esperamos Neve
    que até o frio se atreve

    Boa Semana pra vocês, beijinhos de aqui MJ

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    Respostas
    1. Brrrr... já nem me atrevo a refilar com o friiiiiio, Anjo meu

      Precisamos de água e a neve é água no seu estado sólido... ou semi-sólido. Mas H2O, é!

      Beijinhos daqui, enrolados em camisolas, casacos e mantas

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  3. Brancas nuvens negras7 de março de 2022 às 18:30

    Quase uma oração a pedir chuva (salvo seja).
    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. :) Obrigada pela parte que me cabe, L.

      Não sei se oração, se dança da chuva, rsrsrs... A verdade é que escrevi esse soneto/resposta enquanto chovia copiosamente sobre Oeiras e estava feliz , muito feliz, solidária e quase irmanada com as nossas terras crestadas e sedentas.

      Forte abraço!

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  4. Falo-te de um Tempo que não é dessoutro irmão,
    Que já não comanda e rege as nossas sementeiras
    E a dança das foices roubadas das mãos das ceifeiras
    Nos campos onde já não há trigo, nos templos do perdido pão...

    Triste a minha quadra?
    Mas retrata
    o que no Alentejo se passa
    pra nossa mágoa

    Abraço triste

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    1. Eu sei, Rogério, eu sei...

      Eu e o Custódio Montes falámos das nossas reminiscências, só a bátega de chuva do último soneto é real e muito, muito recente. Foi, aliás, descrita em tempo real.

      Abraço forte, embora também triste

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