TANTAS CARAVELAS... - Reedição

TANTAS CARAVELAS...
*


Ergue-se o pano e surge outro cenário


Vindo de uma matriz que mal denota


O virtual do qual emerge a frota


De sonhos com aromas de incensário
*


 


A multidão, em sentido contrário,


Retoma, paulatina, a sua rota


E os que não trouxerem espada e cota


Farão boicote ao vosso imaginário…
*


 


Não será de estranhar que, no futuro,


Se (re)erga uma ponte sobre um muro


E um outro entendimento sobrevenha,
*


 


Nem será de esperá-lo. O que vos juro,


É que a tela que pinto e que emolduro


Se vai esfumando ao longe. E ninguém estranha.
*


 


Maria João Brito de Sousa


02.03.2009 - 22.30h
***


tantas caravelas.jpg

Comentários

  1. Fascinante de ler
    .
    Feliz fim de semana.
    .

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  2. Brancas nuvens negras4 de junho de 2022 às 11:19

    Um poema cheio de significado com a originalidade de (re) erguer pontes sobre muros. Uma visão do futuro, muito poética, de grande qualidade literária.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada pela gentileza das suas palavras, L.!

      Um grande abraço!

      Eliminar
  3. É curioso, teu soneto
    bate certo
    com o meu texto
    "O mundo já não será o que era"

    (a imagem é um espanto!)

    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. As coincidências existem mesmo e até podem acontecer com frequência entre pessoas com opções ideológicas idênticas, como acontece connosco, Rogério.

      Lamento muito não saber quem criou esta imagem que há muito tempo tenho guardada nos meus ficheiros, mas concordo: é um espanto!

      Abraço

      Eliminar

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