SEM TÍTULO VI

Eu, Algés, 1969 (1).jpeg


SEM TÍTULO VI
*



Repara, amor, que a mim tanto me fez


Que fosses rico ou pobre ou branco ou negro


Que nunca olhei à cor da tua tez


E à riqueza, amor, inda hoje a nego
*



Sequer à tua força e robustez


Olhei que o meu amor era, então, cego


E amei-te com a mesma insensatez


Que engendra a solidez do desapego...
*



Amei-te pressupondo desvendar-te


E cega vi-te, amor, por toda a parte,


Como se foras puro, imaculado,
*



Mas assim que curada da cegueira,


Ao ver a tua imagem verdadeira


Mal cri no que não vi por ter cegado.
*


 


Mª João Brito de Sousa


15.11.2022 - 10.30h
***


 


 


 


 

Comentários

  1. Um poema de amor, aquele amor antigo, com uma conclusão inesperada.
    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. Sim L., um amor muito antigo que durou mais de trinta anos, contando com os cinco anos de namoro.

      Forte abraço!

      Eliminar
  2. Soneto maravilhoso BRILHANTE.
    Cumprimentos poéticos

    ResponderEliminar
  3. Mas que beleza de cegueira MJ

    Bela tarde com alegria agasalhada, beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, meu!

      Mais do que agasalhada, estou entrouxada em roupa, rsrsrs

      Bela tarde e beijinhos!

      Eliminar

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