SONETO DO DESAMOR POSSÍVEL II

Eu, Hotel dos Templários - 1972 (2).jpg


SONETO DO DESAMOR POSSÍVEL II
*



Galguei altas vagas, sondei-te as entranhas,


E entrei no teu templo. Não me ajoelhei.


Se não mais me queres, se assim me desdenhas,


Também eu te juro que te esquecerei
*



Cavaste os abismos e criaste as montanhas


Para que eu subisse. Nunca eu subirei


Tão altas encostas de escarpadas penhas,


Nem aos teus abismos jamais descerei!
*



Se sou tão só sombra de ruínas e escombros,


Não sentes o peso que trago nos ombros


E julgas ser pouco o que ergui para ti,
*



Verás que também tu estarás, pouco a pouco,


A desvanecer-te até que sobre o oco


Daquilo que foste... Ou daquilo em que eu cri?
*


 


Mª João Brito de Sousa


04.03.2023 - 12.40h
***


 

Comentários

  1. Brancas nuvens negras4 de março de 2023 às 15:05

    Fases da vida, malfadadas, que tem de ser geridas mas... não esquecidas.
    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. A verdade, L., é que acredito que para poder haver desamor, ainda tem de existir amor.

      Por muito distantes e apagadas que estejam as memórias, não há desamor sem haver amor, tal como não existiria a noção de luz se a escuridão lhe não viesse dar um sentido...

      Outro forte abraço

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  2. A Luz e a Escuridão da Vida! Excelente Poema.

    ResponderEliminar
  3. Maria Elvira Carvalho4 de março de 2023 às 21:26

    A descrença feita poesia. Gostei.
    Abraço e saúde

    ResponderEliminar
  4. Bom domingo, querida amiga Maria João!
    O que acreditávamos ser pode não ser.
    O amor pode se tornar em desamor.
    Um poema de amor real...
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos

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    Respostas
    1. Bom Domingo, querida amiga!

      Sim. é bem verdade que um amor pode passar a desamor em circunstâncias extremas, tal como pode haver momentos de desamor num amor ainda existente.

      Também eu lhe desejo uma semana abençoada!

      Beijinhos

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