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Comentários

  1. Brancas nuvens negras17 de maio de 2023 às 15:05

    Apreciei este poema de hoje, a tomada de consciência do que, realmente, somos. Daí ter muitas dúvidas sobre

    "Tendo a sementeira entregue,
    há-de haver alguém que a regue
    sempre que ela estiolar...

    Pelo que me diz respeito, acho que tudo murchará por falta de rega.

    Um abraço.
    L

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    Respostas
    1. Provavelmente a razão estará do seu lado, L., mas isto de ser-se poeta não tem cura e eu ainda tenho uma muito vaga esperança de que as nossas sementeiras não venham a estiolar.
      Tive o enorme espanto de ficar a saber directamente de dois sonetistas - infelizmente um deles deixou-nos o ano passado - que tinham aprendido imenso sobre a musicalidade do soneto através da simples leitura dos meus. Já é qualquer coisa de muito belo e muito bom, embora eu sinta que não fiz nada além de cumprir o meu dever de sonetista. Alguns, até já utilizam um formato inventado por mim, o soneto hendessilábico com rima encadeada (interna)
      A minha maior dúvida é mesmo sobre a sobrevivência do soneto neste mundo caótico.
      Curiosamente, esta extraordinariamente bela fórmula poética foi, durante séculos, exclusiva das elites e dos mais sábios ente os sábios e, desde o final da primeira metade do século passado, quando começou a chegar às mãos do povo, passou a ser odiada. Foi preciso uma trágica Florbela para o fazer atravessar o Modernismo sem naufragar. Vejamos o que conseguiremos fazer nós, os trágicos e os mais aguerridos sonetistas do século XXI que já lançámos ao mar as nossas barcas.

      Forte abraço!

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