UM VOO DE PARDAL - Soneto muito ligeiro, dedicado à Ligeirinha
UM VOO DE PARDAL * Eu, que tanto o pratico, sei tão mal As razões de voar do próprio engenho… Sinto que é muito meu, mas sei-o estranho E chego a acreditá-lo original Por vezes, volitando, é um pardal Que por mim passa a ver quando o detenho, Sabendo que eu, sem asas, não desdenho Um timorato adejo ocasional… E logo as mãos me adejam no teclado Por causa de um pardal me ter tentado, Por obra de tão parca tentação Que é caso pra dizer que ter voado Tem sempre uma razão, sempre um culpado E as culpas nunca são da própria mão… Maria João Brito de Sousa – 05.09.2012 – 20.10h Imagem de pardoca, retirada da net, via Google
Apreciei este poema de hoje, a tomada de consciência do que, realmente, somos. Daí ter muitas dúvidas sobre
ResponderEliminar"Tendo a sementeira entregue,
há-de haver alguém que a regue
sempre que ela estiolar...
Pelo que me diz respeito, acho que tudo murchará por falta de rega.
Um abraço.
L
Provavelmente a razão estará do seu lado, L., mas isto de ser-se poeta não tem cura e eu ainda tenho uma muito vaga esperança de que as nossas sementeiras não venham a estiolar.
EliminarTive o enorme espanto de ficar a saber directamente de dois sonetistas - infelizmente um deles deixou-nos o ano passado - que tinham aprendido imenso sobre a musicalidade do soneto através da simples leitura dos meus. Já é qualquer coisa de muito belo e muito bom, embora eu sinta que não fiz nada além de cumprir o meu dever de sonetista. Alguns, até já utilizam um formato inventado por mim, o soneto hendessilábico com rima encadeada (interna)
A minha maior dúvida é mesmo sobre a sobrevivência do soneto neste mundo caótico.
Curiosamente, esta extraordinariamente bela fórmula poética foi, durante séculos, exclusiva das elites e dos mais sábios ente os sábios e, desde o final da primeira metade do século passado, quando começou a chegar às mãos do povo, passou a ser odiada. Foi preciso uma trágica Florbela para o fazer atravessar o Modernismo sem naufragar. Vejamos o que conseguiremos fazer nós, os trágicos e os mais aguerridos sonetistas do século XXI que já lançámos ao mar as nossas barcas.
Forte abraço!