DESLEIXO - Reedição

desleixo.jpg


DESLEIXO
*


Soneto que me nasça por favor,


sem essa rebeldia indefinível


dos versos que se esculpem por amor


na sequência de urgência irreprimível
*



Bem pode ostentar forma e ter rigor,


Porém não terá "garra", essa indizível,


que o tempera, o reforça, dá vigor


e é, no fundo, o que o torna irrepetível
*



Mas que posso fazer contra a vontade,


transformada em rotina involuntária


que me exige um soneto? Aqui o deixo,
*



Sabendo que ajo mal pois, na verdade,


por capricho tornei-me, a mim, contrária


e em vez de excelência urdi desleixo!
*



Maria João Brito de Sousa


17.06.2010 – 09.26h
***

Comentários

  1. Brancas nuvens negras23 de junho de 2023 às 14:12

    Soneto que me nasça por favor,
    ...
    na sequência de urgência irreprimível

    É assim mesmo, algo nos força, nos cria a necessidade.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
  2. Que a ..."garra"... nunca lhe falte e a Musa, com saúde.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Francisco!

      De momento, estão-me a faltar tanto a saúde como a Musa e a garra, mas penso que depois de repostos os meus níveis de ácido fólico, pelo menos a garra voltará.

      Um abraço

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  3. A rebeldia e a garra fazem parte de um bom soneto.
    Bom fim-de-semana, Maria.
    Um abraço

    ResponderEliminar
  4. E como o que tem de ser tem muita força, aqui estava o meu rebuçado de hoje, com este Soneto "Desleixo" que apesar de ser de ontem, não me tinha dado conta dele, não por desleixo mas por quadras a São João
    Entretanto andei vendo o teu poetaporkedeusker e não encontrei nenhum que fosse por desleixo, tanto este, como todos, estão repletos desse Amor, não me parece que possas escrever por favor, será sempre com, e por, Amor.
    Obrigada por partilhares connosco a tua Poesia, Bravo! ( E...brava também )
    Xi Mª. João!

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