PENDE DO MEU ANZOL UM PEIXE VIRTUAL - Reedição

PENDE DE CADA ANZOL (1).jpg


Gravura de Pieter Bruegel (o velho)


*


PENDE
DO MEU ANZOL
UM PEIXE VIRTUAL
*



Amo o azul do mar, o verde da planura


E quanto da lonjura alcança o meu olhar:


Serei escrava de um lar que no mar se procura


Enquanto esta loucura assim me cativar
*



E, sem me rebelar, nem franca, nem perjura,


Ainda que imatura aceito este invulgar


Destino de varar um mar que só me augura


Os ventos da ventura em que hei-de naufragar...
*



Ao longe, pedra e cal, brilha um velho farol,


Branco como um lençol que foi tecido em sal


E se me saio mal porque um raio de sol
*



Derrete e faz num fole esta rota ideal


Na colisão plural dos estros sem controle,


Pende, do meu anzol, um peixe virtual!
*


 


Maria João Brito de Sousa


15.06.2020 - 16.09h
*


Soneto em verso alexandrino com rima duplamente encadeada

*


 

Comentários

  1. Muito bom!
    Boa tarde, Maria!
    Um abraço.

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  2. Brancas nuvens negras17 de junho de 2023 às 20:38

    Muito original, continua na fase "mar".
    Um abraço
    L

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    Respostas
    1. Brancas nuvens negras17 de junho de 2023 às 20:39

      Melhor dizendo "período mar".
      Outro abraço.
      L

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    2. Há mar na maioria dos meus sonetos, L. ... óbvio ou apenas subentendido, o mar está sempre presente.

      Obrigada e um forte abraço!

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    3. Sim, eu entendi... mas fase ou período, o mar ou está presente ou virá a estar em breve. Nunca me afasto muito dele, tal como na vida real.

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  3. Teresa Palmira Hoffbauer17 de junho de 2023 às 21:18

    Enquanto não chega Julho, mês junto ao mar português, contento-me em mergulhar no „período mar“ da sonetista Maria João Brito de Sousa 🌊

    Abraço amistoso da aldeia do Düssel, desejando-lhe que tudo corra pelo melhor!!

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    Respostas
    1. Obrigada, Teresa!

      Abraço amistoso daqui, do meu cantinho de sempre!

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  4. Maravilhoso Mª. João!
    Bravo!
    Muito muito bom a emoção deste peixe virtual que me levou numa viagem especial pelo exigente formato do soneto alexandrino, e em rima duplamente encadeada!
    Comecei a ler e nem queria acreditar!
    Magnífico este Mar! Lindo lindo em imagem, rico em todos os sentidos!
    Um exemplo espectacular do que um Soneto pode ser de contemporâneo e inovador. Amei! Ponto!
    Muitíssimo obrigada por esta partilha!
    Um enorme e grato Xi, Mª. João! 🐦

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