SILÊNCIO!- Reedição

13529152_10205977402508574_4551931016269935129_n (1).jpg


SILÊNCIO!
*
Silêncio, que um poema vai ser escrito


Ainda que a palavra esteja gasta,


Esvaziada, esmagada como pasta,


Sangue pisado de um verbo proscrito,
*



Mescla magoada que em versos debito,


Mosto de um vinho sem nome nem casta...


Calai-vos por favor, que isto me basta


E em nome deste nada me credito,
*



Pois se de alma dorida, atormentada,


Peço silêncio em troca deste nada,


Ouvi-me, que este nada é quanto tenho...
*



Silêncio, que a palavra deslumbrada


Só em silêncio pode ser gestada;


Dela renasço e nela me despenho!
*



Maria João Brito de Sousa


18.09.2020 - 11.25h
***

Comentários

  1. "...Silêncio, que a palavra deslumbrada / ..." Silêncio é de ouro, na força e forma do "Verbo"!

    ResponderEliminar
  2. Teresa Palmira Hoffbauer20 de setembro de 2023 às 16:56

    Soneto com nuances camonianas.
    Em silêncio me retiro, deixando transparecer a minha admiração pela sua veia poética.

    Fotografia de uma Maria João lindíssima.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esta é a Maria João dos meus nove anos, mascarada de "violetera" na varanda da frente da casa do Dafundo, Teresa

      Obrigada e um abraço

      Eliminar
  3. "este nada é quanto tenho" entendi tudo, todo o poema.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada por me o ter feito saber, L. . É bom sentir esse amparo.

      Forte abraço

      Eliminar
  4. A fotografia é de uma delicadeza ímpar_ essa menina com uma pose de rainha, vestido longo debruado com renda e cestinha no braço está uma graça. Não atoa que é a doce Maria João.
    O poema só podia pedir silencio para a pequena passar ...
    Gosto das publicações assim romantiquinhas, Maria
    Beijinhos e bom restinho de semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Desculpa, querida Lis , quase não te descobria, mas ... descobri agora! :)

      A menina sou eu, mas nunca me disseram que tinha pose de rainha. A minha mãe costumava dizer que eu era metade cientista, metade artista. E tinha razão: tão depressa me perdia nos livros - e os meus eleitos, nesta altura, eram as teses de licenciatura ou doutoramento em Medicina dos alunos do meu bisavô - ora me perdia a ver o Tejo morrer nos braços do Atlântico, ora me perdia nas matas sozinha, horas e horas a ouvir o sussurrar das árvores e a deslumbrar-me com cobras, lagartos e insectos, ora me perdia a pintar ou a escrever... Estes foram tempos de amores de perdição porque eu tudo amava perdidamente...

      Beijinhos e um bom restinho de semana para ti também

      Eliminar
  5. Olá querida Mª. João!
    Gostei, gostei muito deste teu soneto silêncio que não é nada silencioso, mas sempre harmonioso, claro!
    E sabes que palavra tinha escrita quando ainda escrevia em caderno, e não no telemóvel? Essa mesmo, "Silêncio"
    Porque há alturas em que ele é necessário, absolutamente necessário.
    Noite tranquila Mª. João!
    Enorme Xi ♥️ querida Mª João, beijinhos axicorãozados!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, pequena Cotovia!
      É bem verdade que o silêncio nos faz muita falta... Afinal de contas, toda a poesia é constituída por modulações sonoras e intervalos de silêncio...
      ♩ ♪ ♫ ♩ ♪ ♫ ♩ ♪ ♫ ♩ ♪ ♫ ♩ ♪ ♫ ♩ ♪ ♫

      Um grande beijinho
      ♩ ♪ ♫ ♩ ♪ ♫ ♩ ♪ ♫ ♩ ♪ ♫ ♩ ♪ ♫ ♩ ♪ ♫

      Eliminar
    2. Olá Mª. João!
      Também, também, verdade.
      Uma lição muito importante, querida professora Mestra e Poetisa Mª. João.
      Vou tomar esse fundamental silêncio em atenção. Não basta sentir a modulação das tónicas e átonas, há que sentir também esse silêncio entre elas, esse intervalo silencioso.
      "O que não está, se faz mais presente , quando ausente".
      Obrigada, mil Xi e beijinhos axicorãozados, querida Mª. João! 🐦

      Eliminar
    3. Dessa matéria-prima se fazem a música, a poesia e também as línguas, pequena Cotovia.

      Outros mil beijinhos axicoraçõezados para ti

      Eliminar
  6. Ó pa ela bonita
    mas em palavras também.
    Belo dia com alegria
    que aqui já chove e faz frio, brrrrrrr.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, !

      Por aqui, o dia está soalheiro, mas tive frio durante a noite e já me vi obrigada a vestir um pijaminha de algodão...

      Feliz tarde e beijinhos

      Eliminar
  7. Esta espanholita, numa varanda virada para o Tejo e para a estrada marginal (que ainda devia ter pouco trânsito), está com o olhar triste. Não fique triste, linda menina, que as musas vão fazer-lhe companhia.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não é, nem foi o primeiro a considerar que esta menina - eu, nos meus nove anitos - tinha um olhar triste quando os seus olhos se perdiam neste final de Tejo, numa mata qualquer, ou num céu azul ou plúmbeo, mas eu era, na realidade, uma criança muito feliz e risonha... E continuo a ser uma velhota muito risonha, quando não me perco a olhar as mesmíssimas coisas em que então me perdia...
      A Marginal já ia tendo algum trânsito no início dos anos sessenta, mas a minha mãe nasceu nesta mesma casa e falava-me do tempo em que a marginal era conhecida como "a estrada do lá vem um".

      Um fraterno abraço, Fernando

      Eliminar

Enviar um comentário