GLOSANDO CARLOS FRAGATA II - Reedição

Eu, CR, outono 2023.JPG


Eu, fotografada por Carlos Ricardo, 22.09.2023


*


GLOSANDO CARLOS FRAGATA II
*


MORAR EM TI
*


Não quero viver livre, não aceito,


Vou viver preso a ti, em ti morar,


Ser tua água pura, p’ra matar


Essa sede de amor que há no teu peito,
*


Quero ser o desejo satisfeito,


Quero ser a razão do teu cantar,


Quero ser esse brilho no olhar


Que me faz adorar esse teu jeito!...
*


Um jeito de menina já mulher,


Que merece viver felicidade


E será pouca, toda a que te der!
*


Quero ser o teu sol, tua verdade,


Quero ser tudo aquilo que puder,


Agora, amanhã, p’la eternidade!!!
*


Carlos Fragata


***
ETERNIDADE(S)
*


"Não quero viver livre, não aceito"


Esta incondicional libertação


Que assumo, sendo humana, ter defeito


Porque me amarra, ainda que à traição
*


 


"Quero ser o desejo satisfeito"


Daquilo em que acredito, feito acção


E não mera intenção de tê-lo feito


Quando me faltou gesto e sobrou mão...
*



"Um jeito de menina já mulher",


Recordo quando afasto, com saudade,


A imagem do que nunca mais vou ser...
*



"Quero ser o teu sol, tua verdade"!,


Dizia quando jovem, sem saber


Quão breve era esta nossa eternidade.
*



Maria João Brito de Sousa


16.09.2016 - 12.18h
***

Comentários

  1. Gostei muito! Parabéns para ambos.

    Bom doming, Maria!
    Beijinhos

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    1. Muito obrigada pela parte que me cabe, Cheia!

      Bom Domingo e beijinhos

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  2. Bonito !! Obrigado por utilizar a foto que lhe tirei.

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    Respostas
    1. Sou eu quem lhe fica muito grata por me a ter oferecido, Carlos Ricardo!

      Um abraço

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  3. Primeiro quero referir a foto que hoje publica e que festejo pelo facto de que hoje a conheci em primeiro plano.
    Em segundo lugar para dizer que gostei muito dos poemas e dessa troca de ideias coincidentes. É dessa forma que eu também entendo o amor e a sua prática mas, nos dias de hoje, invoca-se a independência e a individualidade para disfarçar a dificuldade de dois serem um só. As relações são frias e sem afecto mercê das grandes diferenças inculcadas em todos nós.
    Uma saudação de solidariedade e um abraço para cada um.
    L

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    1. Bem-haja, L., pelo que cabe à minha glosa ao soneto do Carlos Fragata e por ter ficado contente por me ver tão de perto, apesar da distância que nos separa. Peço desculpa pelos óculos de Sol, mas a minha fotofobia agravou-se ainda mais depois das operações às cataratas.
      Quanto aos amores, eu e o Carlos Fragata divergimos muito, já que eu continuo convicta e orgulhosamente divorciada e fechada a todos os afectos que tentem ultrapassar a pura amizade e o Carlos vive uma paixão intensíssima e duradoura com a sua companheira.

      Não sei se foram a frieza e a falta de afecto que condenaram o meu casamento, mas a certeza de falarmos linguagens completamente diferentes e o facto de eu ter perdido o meu último filho num parto quase surreal em termos de assistência médica, foram, certamente, a gota de água que fez rebentar as paredes de uma barragem construída ao longo de 30 anos.
      Mas nem o soneto do CF me era dedicado, nem o meu se dirigia a ele. Foi um soneto de que gostei muitíssimo e que lhe "roubei" para o poder glosar à minha maneira.

      Um forte abraço, L.

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  4. Aprecio muito este diálogo poético entre duas criatividades genuínas!

    (Cara, Maria João, conheço tão bem os fármacos de que fala! Eles levaram a minha querida mãe até quase aos 88! Por isso, julgo que a troca do "Uzo" por eles faz sentido.)

    Beijinho

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    1. Viva, Ana!

      Faltam muitos medicamentos, esses foram os que me ocorreram no momento, mas são, ao todo, mais de vinte... Vinte e seis, para ser exacta.

      Muito obrigada pela parte que cabe às minhas glosas ao soneto do Carlos Fragata.

      Beijinhos

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