GLOSANDO CARLOS FRAGATA II - Reedição
Eu, fotografada por Carlos Ricardo, 22.09.2023
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GLOSANDO CARLOS FRAGATA II
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MORAR EM TI
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Não quero viver livre, não aceito,
Vou viver preso a ti, em ti morar,
Ser tua água pura, p’ra matar
Essa sede de amor que há no teu peito,
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Quero ser o desejo satisfeito,
Quero ser a razão do teu cantar,
Quero ser esse brilho no olhar
Que me faz adorar esse teu jeito!...
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Um jeito de menina já mulher,
Que merece viver felicidade
E será pouca, toda a que te der!
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Quero ser o teu sol, tua verdade,
Quero ser tudo aquilo que puder,
Agora, amanhã, p’la eternidade!!!
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Carlos Fragata
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ETERNIDADE(S)
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"Não quero viver livre, não aceito"
Esta incondicional libertação
Que assumo, sendo humana, ter defeito
Porque me amarra, ainda que à traição
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"Quero ser o desejo satisfeito"
Daquilo em que acredito, feito acção
E não mera intenção de tê-lo feito
Quando me faltou gesto e sobrou mão...
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"Um jeito de menina já mulher",
Recordo quando afasto, com saudade,
A imagem do que nunca mais vou ser...
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"Quero ser o teu sol, tua verdade"!,
Dizia quando jovem, sem saber
Quão breve era esta nossa eternidade.
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Maria João Brito de Sousa
16.09.2016 - 12.18h
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Gostei muito! Parabéns para ambos.
ResponderEliminarBom doming, Maria!
Beijinhos
Muito obrigada pela parte que me cabe, Cheia!
EliminarBom Domingo e beijinhos
Bonito !! Obrigado por utilizar a foto que lhe tirei.
ResponderEliminarSou eu quem lhe fica muito grata por me a ter oferecido, Carlos Ricardo!
EliminarUm abraço
Primeiro quero referir a foto que hoje publica e que festejo pelo facto de que hoje a conheci em primeiro plano.
ResponderEliminarEm segundo lugar para dizer que gostei muito dos poemas e dessa troca de ideias coincidentes. É dessa forma que eu também entendo o amor e a sua prática mas, nos dias de hoje, invoca-se a independência e a individualidade para disfarçar a dificuldade de dois serem um só. As relações são frias e sem afecto mercê das grandes diferenças inculcadas em todos nós.
Uma saudação de solidariedade e um abraço para cada um.
L
Bem-haja, L., pelo que cabe à minha glosa ao soneto do Carlos Fragata e por ter ficado contente por me ver tão de perto, apesar da distância que nos separa. Peço desculpa pelos óculos de Sol, mas a minha fotofobia agravou-se ainda mais depois das operações às cataratas.
EliminarQuanto aos amores, eu e o Carlos Fragata divergimos muito, já que eu continuo convicta e orgulhosamente divorciada e fechada a todos os afectos que tentem ultrapassar a pura amizade e o Carlos vive uma paixão intensíssima e duradoura com a sua companheira.
Não sei se foram a frieza e a falta de afecto que condenaram o meu casamento, mas a certeza de falarmos linguagens completamente diferentes e o facto de eu ter perdido o meu último filho num parto quase surreal em termos de assistência médica, foram, certamente, a gota de água que fez rebentar as paredes de uma barragem construída ao longo de 30 anos.
Mas nem o soneto do CF me era dedicado, nem o meu se dirigia a ele. Foi um soneto de que gostei muitíssimo e que lhe "roubei" para o poder glosar à minha maneira.
Um forte abraço, L.
Aprecio muito este diálogo poético entre duas criatividades genuínas!
ResponderEliminar(Cara, Maria João, conheço tão bem os fármacos de que fala! Eles levaram a minha querida mãe até quase aos 88! Por isso, julgo que a troca do "Uzo" por eles faz sentido.)
Beijinho
Viva, Ana!
EliminarFaltam muitos medicamentos, esses foram os que me ocorreram no momento, mas são, ao todo, mais de vinte... Vinte e seis, para ser exacta.
Muito obrigada pela parte que cabe às minhas glosas ao soneto do Carlos Fragata.
Beijinhos