SILÊNCIO!- Reedição
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SILÊNCIO!
*
Silêncio, que um poema vai ser escrito
Ainda que a palavra esteja gasta,
Esvaziada, esmagada como pasta,
Sangue pisado de um verbo proscrito,
*
Mescla magoada que em versos debito,
Mosto de um vinho sem nome nem casta...
Calai-vos por favor, que isto me basta
E em nome deste nada me credito,
*
Pois se de alma dorida, atormentada,
Peço silêncio em troca deste nada,
Ouvi-me, que este nada é quanto tenho...
*
Silêncio, que a palavra deslumbrada
Só em silêncio pode ser gestada;
Dela renasço e nela me despenho!
*
Maria João Brito de Sousa
18.09.2020 - 11.25h
***
Gostei!
ResponderEliminarBoa tarde, Maria!
Um abraço.
Boa tarde e muito obrigada, Cheia!
EliminarUm abraço!
"...Silêncio, que a palavra deslumbrada / ..." Silêncio é de ouro, na força e forma do "Verbo"!
ResponderEliminarUm abraço cheio de gratidão, amigo Francisco!
EliminarSaúde e Paz!
Soneto com nuances camonianas.
ResponderEliminarEm silêncio me retiro, deixando transparecer a minha admiração pela sua veia poética.
Fotografia de uma Maria João lindíssima.
Esta é a Maria João dos meus nove anos, mascarada de "violetera" na varanda da frente da casa do Dafundo, Teresa
EliminarObrigada e um abraço
"este nada é quanto tenho" entendi tudo, todo o poema.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Obrigada por me o ter feito saber, L. . É bom sentir esse amparo.
EliminarForte abraço
A fotografia é de uma delicadeza ímpar_ essa menina com uma pose de rainha, vestido longo debruado com renda e cestinha no braço está uma graça. Não atoa que é a doce Maria João.
ResponderEliminarO poema só podia pedir silencio para a pequena passar ...
Gosto das publicações assim romantiquinhas, Maria
Beijinhos e bom restinho de semana
Desculpa, querida Lis , quase não te descobria, mas ... descobri agora! :)
EliminarA menina sou eu, mas nunca me disseram que tinha pose de rainha. A minha mãe costumava dizer que eu era metade cientista, metade artista. E tinha razão: tão depressa me perdia nos livros - e os meus eleitos, nesta altura, eram as teses de licenciatura ou doutoramento em Medicina dos alunos do meu bisavô - ora me perdia a ver o Tejo morrer nos braços do Atlântico, ora me perdia nas matas sozinha, horas e horas a ouvir o sussurrar das árvores e a deslumbrar-me com cobras, lagartos e insectos, ora me perdia a pintar ou a escrever... Estes foram tempos de amores de perdição porque eu tudo amava perdidamente...
Beijinhos e um bom restinho de semana para ti também
Olá querida Mª. João!
ResponderEliminarGostei, gostei muito deste teu soneto silêncio que não é nada silencioso, mas sempre harmonioso, claro!
E sabes que palavra tinha escrita quando ainda escrevia em caderno, e não no telemóvel? Essa mesmo, "Silêncio"
Porque há alturas em que ele é necessário, absolutamente necessário.
Noite tranquila Mª. João!
Enorme Xi ♥️ querida Mª João, beijinhos axicorãozados!
Obrigada, pequena Cotovia!
EliminarÉ bem verdade que o silêncio nos faz muita falta... Afinal de contas, toda a poesia é constituída por modulações sonoras e intervalos de silêncio...
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Um grande beijinho
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Olá Mª. João!
EliminarTambém, também, verdade.
Uma lição muito importante, querida professora Mestra e Poetisa Mª. João.
Vou tomar esse fundamental silêncio em atenção. Não basta sentir a modulação das tónicas e átonas, há que sentir também esse silêncio entre elas, esse intervalo silencioso.
"O que não está, se faz mais presente , quando ausente".
Obrigada, mil Xi e beijinhos axicorãozados, querida Mª. João! 🐦
Dessa matéria-prima se fazem a música, a poesia e também as línguas, pequena Cotovia.
EliminarOutros mil beijinhos axicoraçõezados para ti
Ó pa ela bonita
ResponderEliminarmas em palavras também.
Belo dia com alegria
que aqui já chove e faz frio, brrrrrrr.
Beijinhos
Obrigada, !
EliminarPor aqui, o dia está soalheiro, mas tive frio durante a noite e já me vi obrigada a vestir um pijaminha de algodão...
Feliz tarde e beijinhos
Esta espanholita, numa varanda virada para o Tejo e para a estrada marginal (que ainda devia ter pouco trânsito), está com o olhar triste. Não fique triste, linda menina, que as musas vão fazer-lhe companhia.
ResponderEliminarNão é, nem foi o primeiro a considerar que esta menina - eu, nos meus nove anitos - tinha um olhar triste quando os seus olhos se perdiam neste final de Tejo, numa mata qualquer, ou num céu azul ou plúmbeo, mas eu era, na realidade, uma criança muito feliz e risonha... E continuo a ser uma velhota muito risonha, quando não me perco a olhar as mesmíssimas coisas em que então me perdia...
EliminarA Marginal já ia tendo algum trânsito no início dos anos sessenta, mas a minha mãe nasceu nesta mesma casa e falava-me do tempo em que a marginal era conhecida como "a estrada do lá vem um".
Um fraterno abraço, Fernando