SONETO DO MAR- Reedição

MAR II - C. Ricardo.jpg


 Fotografia gentilmente cedida por Carlos Ricardo


*


SONETO DO MAR
*


 


Serei, na (in)completude dos gentios,


Quem de ti fez o berço original,


Quem te encheu da grandeza natural


De invernos, dos agrestes, e de estios;
*


 


Sou quem te enfeita de ilhas e baixios,


Quem te escava esse leito de água e sal,


Quem te cobre de bancos de coral,


Quem te devolve a água dos seus rios
*


 


E sou quem te deu essa imensidão


Das coisas que mal sabes desvendar,


Quem cresce ao renovar-te e quem te fez,
*


 


Sou, a Vontade - sempre em gestação -


De me expandir, de me multiplicar


E a força que adivinhas mas não vês!
*


 


 


Maria João Brito de Sousa


23.01.2008
***


In Poeta Porque Deus Quer


Autores Editora, 2009


***

Comentários

  1. Um mar de sonetos, Maria!
    Boa noite e bom fim-de-semana.
    Um abraço.

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    1. Este Mar é do meu segundo ano de plantio do soneto, pois só comecei a escrever sonetos em 2007, Cheia.

      Bom descanso , um excelente fim-de-semana e uma abraço!

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  2. Um poema que merecia um cartaz colocado em cada praia.
    Um abraço.

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    1. Muito obrigada pela gentileza das suas palavras, L.

      Um forte abraço!

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  3. Olá querida Mª João!
    Ainda mesmo antes de ler o teu Soneto do mar tive de vir aqui à caixinha dos comentários para fazer uma pergunta:
    Sou só eu ou aquela onda faz a figura de um Cristo de braços abertos?
    E se sim, é mesmo fenomenal!
    Parabéns ao fotógrafo Carlos Ricardo!
    Genial!
    Vou então ler o Soneto... até já.

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    1. Dona Cotovia, também me ocorre um "Adamastor"!!!

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    2. Verdade, também poderia ser, mas claramente que está ali uma figura!
      Obrigada Francisco, não sou só eu!

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    3. É espantosa, esta fotografia do Carlos Ricardo, não é?

      Bem, não, não vi um Cristo, mas vi uma figura humana... Creio que mais um Adamastor zangado com quem se tenha atrevido a aproximar-se dos seus domínios. De qualquer forma é uma fotografia espectacular!

      Até já!

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    4. Sim, Francisco, a mim também me ocorreu o Adamastor!

      Abraço

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    5. Não, não és só tu, pequena Cotovia: toda a gente vê uma figura humana naquela vaga

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  4. "...Sou, a Vontade - sempre em gestação ..."
    Que a Vontade não lhe falte e a Musa não lhe escape, na sua "multiplicação" de Sonetos.
    Saúde e Paz!

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    1. Boa noite, Francisco!

      Muito obrigada, meu amigo. Este soneto já é antigo, do segundo ano da safra, mas eu espero poder continuar a poder escrevê-los por mais alguns anitos.

      Saúde e Paz

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  5. Lindo lindo lindo!
    O mar criador, de onde toda a vida emerge assim como os poemas, que nos recorda a nossa minúscula, ínfima dimensão, mas ao mesmo tempo tão grandes quanto desejarmos enquanto humanidade unida.
    Fez imenso sentido o terceto:
    "E sou quem te deu essa imensidão
    Das coisas que mal sabes desvendar,
    Quem cresce ao renovar-te e quem te fez,"(...)/"multiplicar/E a força que adivinhas mas não vês!
    Final soberbo!
    Bravo!
    Enorme Xi, muitos beijinhos axicorãozados. ❤️🐦

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    Respostas
    1. Obrigada, pequena Cotovia!

      Ainda estava um bocadinho verde na altura em que este soneto foi escrito, mas saiu-me bem, também gosto bastante dele
      Na verdade, somos, em simultâneo, ínfimos e imensos nas nossas diferenças e semelhanças...

      Enorme beijinho axicoraçãozado!

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  6. Sábias e belas tais palavras
    só não sei
    porque não me falas
    das ondas
    alterosas
    ou
    calmas

    Abraço de peixe

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    Respostas
    1. Viva, Rogério!

      Tinha 14 versos decassilábicos para apresentar - ou representar- a voz do mar e da sua imensa importância na criação da Vida e o mar ficou apresentado... mas tenho muitos outros sonetos que falam das vagas mais calmas ou mais enfurecidas. Tenho até muitos - talvez dezenas - que te falam pormenorizadamente disso.

      Abraço de peixe também para ti!

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