MEUS CAMINHOS - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa
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MEUS CAMINHOS
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Coroa de Sonetos
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Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa
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1.
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Um túnel, uma estrada, um caminho
Que vão dar ao destino que me apraz
Outrora fui menino, fui rapaz
Andava noutras sendas de adivinho
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Agora vou direito sem espinho
Em frente sem voltar de novo atrás
Outrora ia aonde era capaz
Sem medo pelos montes e sozinho
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Na busca dos meus sonhos à deriva
Bem cheia a alma que era criativa
Sem raias no amor, na inspiração
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Agora meus caminhos espaçados
São largos para mim mas apertados
Nas sendas que percorre o coração
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Custódio Montes
(Sonetos)
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2.
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"Nas sendas que percorre o coração"
Quando a maturidade o auge atinge
Não ficamos parados como a esfinge,
Mas não corremos por qualquer razão
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E serenamos em compensação
Porque evitamos tudo o que restringe
O verso manso que em chegando cinge
Nossa cintura, como se uma mão...
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Devagar vamos, mas debalde não,
Que cada passo dado em comunhão
Com algum companheiro de poemas
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Nunca poderá ser um passo vão...
Ah, que me importa ser idosa, então,
Se assim puder voar como os fonemas?
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Mª João Brito de Sousa
22.02.2024 - 16.42h
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3.
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“Se assim puder voar como os fonemas”
Bem juntos uns aos outros conjugados
Andando no poema irmanados
Em ordem como firmes teoremas
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Parte-se dum princípio e vários temas
Agrupam-se um a um organizados
Ficamos, quando os vemos ordenados,
Contentes e felizes, sem problemas
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Encontram-se veredas ou caminhos
Que nos trazem lembranças e carinhos
Que tivemos na nossa mocidade
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Seguimos passo a passo sempre a andar
E pomo-nos assim a recordar
Lembrando, passo a passo, a nossa idade
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Custódio Montes
22.2.2024
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4.
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"Lembrando, passo a passo, a nossa idade"
Que tem também momentos de beleza
Pois chegar-se à velhice é já proeza,
Nem todos têm essa f`licidade...
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Alguns aspiram à eternidade
Mas eu confesso com toda a franqueza
Não aspirar sentá-la à minha mesa
Por lhe não ter sequer grande amizade
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Seja suave ou espinhoso este caminho
Nenhum de nós o vai fazer sozinho
Que é sempre bom escutar ao nosso lado
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Os passos compassados de um amigo
Que te saúda e segue a par contigo,
Talvez ambos cantando um velho fado...
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Mª João Brito de Sousa
22.02.2024 - 21.10h
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5.
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“Talvez ambos cantado um velho fado…”
Mas temos que arranjar uma guitarra
Da letra e da canção não basta a garra
O fado tem que ser acompanhado
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Mas que este assunto fique bem ao lado
Que na coroa isso não se agarra
Prefiro ser formiga e não cigarra
Trabalho no poema atarefado
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Sigo esse meu roteiro com mestria
Introduzo palavras de alegria
E mando esse tal fado passear
*
Trabalho na coroa em andamento
E tudo o mais se vai voando ao vento
Incluindo o dito fado e o seu cantar
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Custódio Montes
22.2.20024
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6.
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"Incluindo o dito fado e o seu cantar",
Tudo hoje lança ao vento e vou temendo
Que a mim também me afaste... e me arrependo
De em fado ter falado sem pensar...
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Sei que perdi a voz. Desafinar
Em fado que se cante é tão tremendo
Que logo me calei, a voz doendo,
E as pernas também, de tanto andar...
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Pouco me importa agora a afinação
Que não volto a cantar. Não volto, não,
A menos que um remédio milagroso
*
Me cure desta imensa rouquidão
E eu possa enfim cantar uma canção
Às verdejantes terras de Barroso.
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Mª João Brito de Sousa
22.02.2024 - 23.10h
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7.
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“Às verdejantes terras de Barroso”
Também as canto agora se puder
Mas é noite e não basta eu querer
Se pudesse ficava bem famoso
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Levava até Oeiras orgulhoso
O meu rincão alegre para ver
A grande poetisa, essa mulher
Que tem um canto belo e valoroso
*
Ficaria encantado este meu monte
Ao ver aí o belo horizonte
Que cerca e rodeia esse lugar
*
Se a afinação das vozes fosse boa
Passávamos por cima de Lisboa
Para depois à porta lhe cantar
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Custódio Montes
23.2.2024 (alvorada)
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8.
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"Para depois à porta lhe cantar"
Mas só o meu amigo... eu calaria
Porque a minha voz rouca assustaria
Lisboa e o Tejo inteiro até ao mar...
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Fugiria a gaivota a esvoaçar,
O velho cacilheiro afundaria
E o Cais das Colunas julgaria
Que algum monstro o estaria a ameaçar...
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Caminharia, sim, mas caladinha
Que voz que agora trago não é minha,
É a de um elefante a barritar
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E eu que quando cantava era soprano,
Mal abro a boca, agora, causo dano,
Por isso é que não vou nem exp`rimentar!
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Mª João Brito de Sousa
23.02.2024 - 09.50h
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9.
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“Por isso é que não vou nem exp’rimentar”
Mas nessa altura apenas ia ouvir
Eu e mais o meu monte a confluir
Na dita serenata e a cantar
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Tem muito que fazer: acompanhar
As dores da Mistral e o seu carpir
O que há à sua volta e a ouvir
As ondas do seu mar a altear
*
Deitada a descansar no seu sofá
Talvez fosse melhor ou menos má
Ouvir a serenata - o nosso canto
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Que o canto do meu monte é de tenor
E juntando-se ao meu fica melhor
E sentiria, então, algum encanto
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Custódio Montes
23.2.2024
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10.
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"E sentiria então algum encanto"
Que o canto do seu monte é fascinante
Enquanto o meu, de tão tonitruante,
Esgotaria a paciência a qualquer santo
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Caminho e já vislumbro o verde manto
Desse seu nobre monte inda distante...
Lá chegarei, que sigo sempre avante
E mesmo fraca ainda posso tanto...
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A Mistral dorme agora sossegada,
Não vai fazer comigo a caminhada
Pois tem de descansar pra ficar bem
*
Quanto me falta ainda pra chegar
Ao monte que tão bem sabe (en)cantar
E que vou vislumbrando ao longe... além!?
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Mª João Brito de Sousa
23.02.2024 - 11.10h
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11.
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“E que vou vislumbrando ao longe….além!”
Olha, vejo andorinhas a voar
E um verde deslumbrante a emoldurar
Um cantinho que fica ali tão bem!
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Um monte como este ninguém tem:
A urze e a giesta a ondular
A água cristalina a borbulhar
Da fonte luminosa donde vem
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É lindo o mar de Oeiras espalhado
Nos dias de verão mais descansado
Que canta alto agora, no inverno
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Mas este monte aqui que agora alcanço
É todo o ano lindo e traz descanso
Que jóia de beleza e quão terno!
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Custódio Montes
23.2.2024
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12.
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"Que jóia de beleza e quão terno"
É o altivo monte que alcançou!
Tento correr mas meu pé tropeçou
Num lenho que não foi nada fraterno
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E quase me fez crer ver o inferno
Na excruciante dor que me causou...
Ergo-me já que a dor quase passou,
Mas esse belo monte é sempre eterno
*
Tal como eterno é o mar de Oeiras,
Inda que alvoroçado e sem maneiras
Se mostre neste Inverno algo incomum...
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Mas agora é pra Norte que caminho
Embora a coxear, devagarinho,
Pra não haver mais tropeção nenhum!
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Mª João Brito de Sousa
23.02.2024 - 12.30 h
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13.
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“Pra não haver mais tropeção nenhum!”
Mas ande, não se esqueça do caminho
Ande mais devagar, devagarinho
Não corra muito, os passos um a um
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Assim, no seu andar que é comum
A quem procura um ovo no seu ninho
Vai andar de certeza com jeitinho
Para que o seu prazer seja algum
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Que os caminhos seguidos sejam belos
E os passos que vá dar sejam singelos
Para lhe darem muita animação
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Lembrando todo o tempo lá detrás
Como era a juventude dum rapaz
Sem contrariedade ao coração
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Custódio Montes
23.2.2024
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14.
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"Sem contrariedade ao coração"
E com a dor sanada, continuo
Que a cada passo da beleza fruo
Deste caminho que não sigo em vão
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Até aonde alcança esta visão
Parece que levito ou que flutuo
E sigo em frente e sei que não recuo
Porque caminho em sua direcção
*
E vejo agora o jovem de que fala
Estranhando um pouco ver-me de bengala
E a caminhar assim, devagarinho
*
Para alcançá-lo faltam nem cem metros
Sem pedras nem ravinas, que são rectos,
"Um túnel, uma estrada, um caminho"...
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Mª João Brito de Sousa
24.02.2024 - 14.40
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Bom dia,
ResponderEliminarParece que foste a pé até às Terras de Barroso
Bom e belo Sábado para ti também!
Beijinhos
ResponderEliminarOs despiques ou desgarradas são sempre em redondilha maior que é o tempo, compasso e ritmo da boa quadra popular, Cheia! Eram - e são... - quase sempre ditos de improviso e ainda está para nascer quem consiga dizer de improviso sonetos em verso heroico.
Olhe, agora ocorreu-me que nunca experimentei improvisar um soneto inteiro sem o escrever, assim, da boca para fora... Mas eu gosto mesmo é de os escrever, é quase como se voltasse a desenhar ou a pintar.
Obrigada pela parte que me cabe
Outro abraço, Cheia!
Muito obrigado, pelas suas explicações. Que bom que é aprender com quem sabe.
EliminarUm abraço, Maria João!
Não tem de quê, Cheia. Estamos todos aqui para comunicar e aprendermos uns com os outros.
EliminarMais um abraço