DIALOGANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XXIII
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Imagem Pinterest
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DIALOGANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XXIII
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COMO QUANDO DO MAR TEMPESTUOSO
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Como quando do mar tempestuoso
O marinheiro todo trabalhado,
De hum naufragio cruel sahindo a nado,
Só de ouvir fallar nelle está medroso:
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Firme jura que o vê-lo bonançoso
Do seu lar o não tire socegado;
Mas esquecido ja do horror passado,
Delle a fiar se torna cobiçoso:
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Assi, Senhora, eu que da tormenta
De vossa vista fujo, por salvar-me,
Jurando de não mais em outra ver-me;
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Com a alma que de vós nunca se ausenta,
Me tórno, por cobiça de ganhar-me,
Onde estive tão perto de perder-me.
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Luíz de Camões
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Se vos haveis ganhado onde perdido
Estivestes quase, quase, em fúria tanta,
Cuidai de vos cuidar que se alevanta
Tormenta bem maior que a que heis sentido
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Imensa em força, doble em arruído
E capaz de vergar mesmo Atalanta,
Esta a todas as outras as suplanta
Pois mais de mil borrascas há vencido
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Fugi então de ouvir novas de mim:
Se da fúria primeira vos salvastes,
Quiçá duma segunda o não possais...
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Fugi com vosso frágil bergantim
Da extrema indignação que provocastes
Conquanto de inocência vos cubrais!
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Mª João Brito de Sousa
28.03.2024 -11.00h
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O soneto de Camões foi transcrito do blog Sociedade Perfeita
Gostei muito. Espero que a Maria João esteja melhor, quanto à Musa, está ótima.
ResponderEliminarBom resto de dia, um abraço, Maria João!
Bom dia e obrigada, Cheia.
EliminarFico muito contente por saber que gostou, mas não faço ideia onde esteja escondida a Musa, por isso este soneto me levou mais tempo a criar/compor do que os correm ecrã afora montados no cavalo de fogo, e infelizmente, nem eu nem a Mistral estamos bem. Ela quase não consegue andar, temo que tenha alguma patinha partida e eu tenho as mazelas de sempre e, comandando as tropas, uma dor de cabeça infernal.
Foi por pura teimosia/rebeldia que me atrevi a escrever e a publicar e não sei se me vou aguentar por aqui muito tempo, nem se vos conseguirei visitar. Farei o que puder, até porque tenho mil e uma tarefas caseiras acumuladas e não sei se conseguirei dar conta de uma décima parte delas.
Peço desculpa pela frontalidade da minha resposta, mas se não me sinto bem e me perguntam como estou, tenho por hábito ser sincera. Quando me sinto bem, vocês, os amigos online, notam logo, mas também o digo/demonstro.
Um abraço
Não tem de pedir desculpa, nem de fazer o que não puder. Desejo que ambas tenham boas e rápidas melhoras.
EliminarMais um abraço, Maria João!
Obrigada e mais um abraço, Cheia!
EliminarLer os DIALOGANDOS COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XXIII é um enorme prazer. A fotografia é fenomenal.
ResponderEliminarAbraço nesta QUINTA-FEIRA SANTA 😇
Um miau 😺 para a Mistral.
Obrigada, Teresa! :)
EliminarVou no vigésimo terceiro, mas há mais três ou quatro diálogos iniciais que nunca cheguei a numerar.
Se eu não estivesse tão cronicamente achacada e, agora, até a Mistral precisa de cuidados hospitalares semanais, talvez se pudesse fazer disto um livrinho que teria - acredito - bastante interesse porque, a menos que eu esteja redondamente enganada, nenhum sonetista, até ao momento, se atreveu a improvisar, em soneto camoniano, as falas/respostas das pessoas a quem Camões dedicou tantos poemas.
FELIZ QUINTA-FEIRA SANTA!
A Mistral agradece o Miau e eu envio um forte abraço
Ai, caramba... "e agora até a Mistral a precisar de cuidados..." , peço desculpa, isto saiu num português hediondo...
EliminarMais que excelente: excelentíssimo. Como Mª João consegue interpretar e comungar do espírito de Camões: na forma e no conteúdo. Felicitações. Saúde e Páscoa Feliz!
ResponderEliminarMuito obrigada pelas suas elogiosas palavras, Francisco! :)
EliminarRetribuo os votos de saúde e de uma Páscoa Feliz!
O meu fraterno abraço
Coitado do Luís de Camões! Apesar de todas as procelas, continua a desfazer-se em galanteios e, em troca, recebe como resposta: «Fugi então de ouvir novas de mim: / Se da fúria primeira vos salvastes, / Quiçá duma segunda não possais». Até tenho pena do rapaz!
ResponderEliminarIsto é obra da Musa, Fernando. Nada posso fazer se ela entende que Luiz Vaz de Camões tem de pagar pelas infidelidades de todos os pinga-amores cá do reino, desde então até ao presente momento.
EliminarMas, em compensação, já o brindou com um soneto erótico, num dia em que acordou mais bem disposta... É o décimo oitavo soneto, se me não engano.
Para não variar publiquei dois décimos nonos e esqueci-me do décimo oitavo. Mas aqui o tem https://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/conversando-com-camoes-no-seu-929220
Um abraço