DIALOGANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XXIII
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Eu, fotografada por Rogério V. Pereira
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DIVERSOS DÕES REPARTE O CÉU BENINO
*
Diversos dões reparte o Ceo benino,
E quer que cada huma alma hum só possua;
Por isso ornou de casto peito a Lua,
Que o primeiro orbe illustra crystallino;
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De graça a Mãe formosa do Menino,
Que nessa vista tẽe perdido a sua;
Pallas de sciencia não maior que a tua:
Tẽe Juno da nobreza o imperio dino.
*
Mas junto agora o largo Ceo derrama
Em ti o mais que tinha, e foi o menos
Em respeito do Autor da natureza.
*
Que a seu pezar te dão, formosa dama,
Seu peito a Lua, sua graça Venos,
Sua sciencia Pallas, Juno sua nobreza
*
Luís de Camões
***
Eu que formosa fui em tempos idos
Mas despojada estou dessoutros dões,
Não sei por que converso com Camões
Se o grande vate não quer dar-me ouvidos...
*
Ainda que me cubra de vestidos,
De jóias de quilate e de galões,
Este corpo é tão falho em atracções,
Quão fértil em maleitas e pruridos!
*
De infindos dões, contudo, fui dotada
P`lo já citado Autor da natureza
Que mui pródigo foi para comigo
*
Ao dar-me a voz que deu, pra ser cantada,
Ao deixar-me morrer voltando ilesa
E ao ceder-me um tal Mestre enquanto amigo.
*
Mª João Brito de Sousa
16.04.2024 - 11.00h
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O Soneto de Camões foi transcrito do blog Sociedade Perfeita
Esta conversa está muito interessante, bem haja por a levar adiante.
ResponderEliminarUm abraço, Maria João!
Ainda bem que gostou, Cheia.
EliminarTinha deixado este soneto por acabar porque o achei muito mau, mas reli-o e não o achei tão mau como isso. Dei-lhe um jeitinho e publiquei-o!
Outro abraço
Os diálogos com Luís de Camões são jóias de quilate e de galões.
ResponderEliminarAbraço forte e solidário, Maria João 🌷
não dou cravos vermelhos, dou túlipas de Amsterdão.
Carinho para a companhia felina, a patusca Mistral.
Obrigada, Teresa!
EliminarAcredite que nesta minha última ausência comecei, desisti a meio e deitei para o lixo vários diálogos com Camões que me pareciam péssimos poemas... Agora encontrei alguns que reli e já não me pareceram tão maus como isso. A esses pobres "salvados", terminei-os e tenho mais dois prontos a publicar.
Aceito com prazer e gratidão as suas belas túlipas, mas só tenho uma braçada de cravos para retribuir
A beleza, quando ela existe em nós, manifesta-se sob várias formas... e persiste.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Muito obrigada, L.!
EliminarA minha beleza, coitada, fugiu toda para os sonetos, que eu estou mesmo muito mais acabada do que a maioria das mulheres da minha idade.
Até as mãos que até há bem pouco tempo eram bonitas estão a perder o seu fulgor...
Um abraço!
Concordo muito com a sua leitora, a Cheia,
ResponderEliminarUma conversa que precisa plateia... e seguimento.
Um luxo conversar com Camões e entende-lo ...talvez comigo seria um monólogo,
e transferido tudo para uma prosa com Rogério ( o fotógrafo), nos entenderíamos
mesmo com aquele entoar de frases cantadas... risos
Gostei, amiga .Muito e deixo os abraços à distância ( até poque usava máscaras, neste dia.
Olá, Lis! :)
EliminarEsta fotografia foi tirada pelo Rogério há uns três anos, creio, no passeio/alameda onde moro, durante um evento promovido pela Comissão de Moradores de Nova Oeiras que veio animar um pouco os reclusos da pandemia.
Quanto às minhas conversas com o grande Mestre do soneto, parece que estão para durar,
e entendo-o bastante bem porque li muitas obras neste Português ainda um pouco titubeante, com "ões" em vez de "ons" e outras deliciosas relíquias da nossa língua
Um beijo, que os beijos virtuais não contagiam ninguém e embora o SARS-CoV-2 continue a circular por aí, já outros vírus gripais lhe passaram à frente em termos de morbilidade.
Beijo
Lis, o Cheia não é uma leitora, é um leitor e o criador do blog Sociedade Perfeita no qual tenho andado a recolher estes sonetos da lírica Camoniana
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