O PÓ NOSSO DE CADA DIA
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Acrílico e Óleo sobre Madeira da autoria de Luís Rodrigues
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O PÓ NOSSO DE CADA DIA
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Eu não resido. Eu moro como tantos
Numa casa pequena, envelhecida,
Na qual nasceram lágrimas e espantos
E o mais que foi compondo a minha vida
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Livros. Há livros por todos os cantos
Da minha velha casa guarnecida
Por um pó cinza-claro como os mantos
Das monjas a quem nunca dei guarida
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Tem, esse pó, uma presença forte
E eu que estou em franca minoria
Face às suas partículas infindas
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Direi que não é coisa que me importe
Tê-lo por companheiro noite e dia,
Conquanto lhe não dê as boas-vindas.
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Mª João Brito de Sousa
27.04.2024 - 17.00h
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Tudo o que temos na nossa casa, o nosso refúgio, faz parte da nossa vida.
ResponderEliminarA imagem é acrílico e óleo sobre madeira. Fico agradecido pela distinção.
Um abraço.
L
Sou eu quem lhe agradece a imagem bem como o facto de, quase inconscientemente , me ter inspirado este soneto, L..
EliminarVou já corrigir a legenda que coloquei sob o seu trabalho. Peço desculpa, mas estou a ver mal novamente e ainda não recebi a convocatória para a capsulotomia YAG a laser.
Um abraço
O pó ajuda a conservar.
ResponderEliminarBoa noite, Maria João!
Um abraço.
Olá, Cheia!
EliminarPode ser que sim, mas também faz espirrar e tossir :) Lamento não me poder ver livre dele, mas não consigo mesmo estar de pé, parada, a limpar as muitas centenas de livros que me rodeiam.
Desejo-lhe uma noite serena e repousante.
Um abraço
Cuidado com as alergias, Maria João!!
ResponderEliminarUm soneto fora da caixa, mas bem enquadrado no desenho.
Gostei, sim senhora! É diferente e castiço.
Beijinho, bom domingo.
Bom dia, Janita!
EliminarAcredite que a mais massacrante das minhas alergias não é ao pó, é às picadelas das mosquitas (digo mosquitas no feminino porque os mosquitos machos não sugam ninguém)
Tenho repelentes comprados na farmácia que não repelem nada, tal como os insecticidas de enfiar na tomada já os não afastam e apesar do friozinho que por aqui vai fazendo, já estou cheia de babas e comichões.
Quanto ao pó, pois que tenha servido, ao menos, para me inspirar um soneto, já que se eu tiver de escolher entre terminar os meus dias de pé, com um pano na mão, desequilibrada e a contorcer-me com dores, ou a espirrar, escolherei os espirros.
Obrigada, bom Domingo e beijinhos
Mas cheira bem
ResponderEliminarBelo e bom domingo MJ, beijinhos
Olá,
EliminarTu achas que o pó cheira bem? Eu nem lhe sinto o cheiro: começo a espirrar assim que tento limpar o pó de um dos livros...
Belo e bom Domingo também para ti!
Beijinhos