O PÓ NOSSO DE CADA DIA

 


morada Luis rodrigues.jpg


Acrílico e Óleo sobre Madeira da autoria de Luís Rodrigues


*


O PÓ NOSSO DE CADA DIA
*



Eu não resido. Eu moro como tantos


Numa casa pequena, envelhecida,


Na qual nasceram lágrimas e espantos


E o mais que foi compondo a minha vida
*



Livros. Há livros por todos os cantos


Da minha velha casa guarnecida


Por um pó cinza-claro como os mantos


Das monjas a quem nunca dei guarida
*



Tem, esse pó, uma presença forte


E eu que estou em franca minoria


Face às suas partículas infindas
*



Direi que não é coisa que me importe


Tê-lo por companheiro noite e dia,


Conquanto lhe não dê as boas-vindas.
*


 


Mª João Brito de Sousa


27.04.2024 - 17.00h
***


 


 


 


 

Comentários

  1. Brancas nuvens negras27 de abril de 2024 às 20:13

    Tudo o que temos na nossa casa, o nosso refúgio, faz parte da nossa vida.
    A imagem é acrílico e óleo sobre madeira. Fico agradecido pela distinção.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sou eu quem lhe agradece a imagem bem como o facto de, quase inconscientemente , me ter inspirado este soneto, L..
      Vou já corrigir a legenda que coloquei sob o seu trabalho. Peço desculpa, mas estou a ver mal novamente e ainda não recebi a convocatória para a capsulotomia YAG a laser.

      Um abraço

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  2. O pó ajuda a conservar.
    Boa noite, Maria João!

    Um abraço.

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    Respostas
    1. Olá, Cheia!

      Pode ser que sim, mas também faz espirrar e tossir :) Lamento não me poder ver livre dele, mas não consigo mesmo estar de pé, parada, a limpar as muitas centenas de livros que me rodeiam.
      Desejo-lhe uma noite serena e repousante.

      Um abraço

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  3. Cuidado com as alergias, Maria João!!
    Um soneto fora da caixa, mas bem enquadrado no desenho.
    Gostei, sim senhora! É diferente e castiço.
    Beijinho, bom domingo.

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    Respostas
    1. Bom dia, Janita!

      Acredite que a mais massacrante das minhas alergias não é ao pó, é às picadelas das mosquitas (digo mosquitas no feminino porque os mosquitos machos não sugam ninguém)
      Tenho repelentes comprados na farmácia que não repelem nada, tal como os insecticidas de enfiar na tomada já os não afastam e apesar do friozinho que por aqui vai fazendo, já estou cheia de babas e comichões.
      Quanto ao pó, pois que tenha servido, ao menos, para me inspirar um soneto, já que se eu tiver de escolher entre terminar os meus dias de pé, com um pano na mão, desequilibrada e a contorcer-me com dores, ou a espirrar, escolherei os espirros.

      Obrigada, bom Domingo e beijinhos

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  4. Mas cheira bem
    Belo e bom domingo MJ, beijinhos

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    Respostas
    1. Olá,

      Tu achas que o pó cheira bem? Eu nem lhe sinto o cheiro: começo a espirrar assim que tento limpar o pó de um dos livros...

      Belo e bom Domingo também para ti!

      Beijinhos

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