BANDEIRA DE CORSÁRIO - Reedição
![]()
Imagem Pinterest
*
BANDEIRA DE CORSÁRIO
*
À nuvem que crescia ordenei: - Gela!
E ela estremeceu, mas não gelou.
Quis pintar qualquer coisa e gritei: - Tela!
Mas ela fez-se surda ou nem escutou
*
Restava-me a memória, esta sequela
De um sonho (in)conquistado que passou,
Escondida onde nem eu dava por ela,
Murchando à sombra desta que hoje sou
*
Escrava da minha própria liberdade,
Jamais o burburinho da cidade
Me há-de arrancar à paz do meu estuário
*
Sobre o convés do galeão, que piso,
Disparo o meu canhão, sem pré-aviso,
E desfraldo a bandeira de corsário.
*
Maria João Brito de Sousa
19.07.2018 – 17.15h
***
Às minhas memórias de Emílio Salgari
A bandeira de corsário dá direito a atacar os inimigos. Mas, à Maria João, ninguém a arranca à paz do estuário do seu rio.
ResponderEliminarUm abraço.
,
Viva, Cheia!
EliminarNão senhor, ninguém me arranca à paz do meu estuário :) Estas são memórias de infância, nascidas das minhas leituras das obras de Emílio Salgari: quando tinha os meus seis ou sete anos queria ser Sandokan, o Tigre da Malásia, rsrsrs :)
Um abraço
Lindamente jovial! Saúde!
ResponderEliminarObrigada, Francisco!
EliminarSaúde e um abraço
Gostei tanto deste poema. O poder de imaginar é uma arma contra o desalento.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Viva, L.!
EliminarTem toda a razão, a imaginação é mesmo uma potente arma contra o desalento. Assim pudesse fazer desaparecer também as doenças degenerativas do tecido conjuntivo de que faço colecção sem nunca ter encomendado nenhuma... e daí... pensando melhor, creio que até para essas pode servir de lenitivo. :)
Um abraço
Gostei muito do poema.
ResponderEliminarA minha imaginação fugiu há meses.
Abraço e saúde
Compreendo-a muitíssimo bem, querida amiga.
EliminarObrigada pelas suas generosas palavras e um abraço solidário
Sabe, cara Sonetista? Quem tem uma mente tão fértil e deliciosamente criativa, como tem a Mª João, tem em si a maior arma de defesa contra todos os piratas, incluindo as maleitas que a vão tentando (ingloriamente) combater.
ResponderEliminarUma delícia este soneto, que as leituras de Emílio Salgari lhe inspiraram.
Também devem andar por aí, deixados esquecidos, um ou dois livros dessas aventuras.
Um grande abraço aventureiro, sobre a terra e sobre mar!
Viva, Janita!
EliminarTalvez seja por isso mesmo que eu ainda estou viva apesar de todas as mazelas que carrego comigo
Houve um médico que, em tempos, me disse: "A Maria João agarra-se à vida com uma força impressionante". E parece que sim, ainda que me tenham receitado, para os problemas articulares, uns comprimidos que os veterinários dão aos cães muito grandes e ferozes que não colaboram mesmo nada com eles :) Eu bem disse que sentia que aquilo me afugentava a Musa, mas os médicos não sabem como tratar de musas que são estados de espírito, entendem bem mais de gente de carne e osso e tudo o que consegui foi uma pequena redução na dosagem.
Quanto aos livros de Emílio Salgari, é bem provável que ainda tenha alguns cá em casa, mas há muito que não consigo ficar de pé diante das estantes à procura dos livros que me foram muito queridos na infância. Neste momento, até a obra do meu avô anda espalhada por aí, ainda não a consegui reunir toda depois da limpeza que foi feita quando eu estava internada com o enfarte ao qual se seguiu uma ruptura da coronária, seguida de uma infecção urinária nosocomial, seguida de uma estuporada gripe A à qual, para rematar em beleza, se seguiu uma bruta pneumonia.
Abraço aventureiro sobre a terra e sobre o mar