MEMÓRIAS DE ABRIL

Memorias_de_Abril (2).jpg


Imagem gerada pelo Chat GPT a partir da


leitura/processamento do poema


*


MEMÓRIAS DE ABRIL
*


Soneto de Coda
*



No tempo em que se abriram tantas portas


Que os muros vacilaram e tombaram,


Fomos os alquimistas que assomaram


Do que antes fervilhava nas retortas
*


 


Recolhemos do chão as folhas mortas


Dos medos que secaram e murcharam


E plantámos ideias que vingaram


Enchendo de esperança as nossas hortas
*



Fomos meninos que, de extasiados,


Acreditámos ter na nossa mão


A força dos antigos condenados
*



Que em tempos libertámos da prisão...


Hoje, meninos velhos e cansados,


Perdemos o vigor, nunca a paixão
*



Que outrora nos tornou, da Paz, soldados


E op`rários em perfeita construção *:


Mortos, talvez, mas nunca derrotados!
*


 



Mª João Brito de Sousa


29.01.2025 - 14.00h
***



* Referência ao poema O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO de Vinicius de Moraes

Comentários

  1. Teresa Palmira HOFFBAUER29 de março de 2025 às 18:27

    „O Operário em Construção" de Vinicius de Moraes é um poema profundo que retrata a luta e a dignidade do trabalhador. Através das suas palavras, o autor convida- nos a refletir sobre a condição humana e a busca por um propósito na vida. O operário, que simboliza todos nós, está em constante construção, não apenas de edifícios, mas da sua própria identidade e sonhos. A obra destaca a importância do esforço e da perseverança, mostrando que, apesar das dificuldades, cada um de nós tem o poder de moldar o seu destino. É uma celebração da força do ser humano e de sua capacidade de transformação.

    Gostei de recordar o poema do autor brasileiro, assim como gostei de ler o poema da Maria João, sempre em luta política. O homem da imagem criada pelo I.A. lembra-me o Jerónimo de Sousa.

    As minhas memórias de Abril são terríveis. A minha mãe morreu num dia 25 de Abril, uns anos mais tarde da revolução dos cravos.

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    Respostas
    1. Lamento que tenha tão tristes e terríveis memorias de Abril, Teresa. Eu, com o tempo, consegui reconciliar-me com Maio que me levou um filho durante um parto tão terrivelmente atribulado que prefiro nem falar sobre o assunto. Apenas acrescento que também eu estive em assistolia durante um longo período de tempo e, se ainda por cá ando, devo-o a uma jovem médica cujo nome lamentavelmente não consigo recordar.

      Estamos em perfeita sintonia no que respeita ao fabuloso poema de Vinicius e, eu, que não sou de lágrima fácil, não consigo lê-lo ou ouvi-lo sem ficar com os olhos rasos de água.

      No que respeita à imagem criada pela I.A., continuamos em sintonia pois confesso que também julguei ver Jerónimo de Sousa assim que ela me surgiu no ecrã..

      Obrigada por gastar do meu soneto de Coda ou Estrambote. Há anos que não escrevia um soneto com este formato mas este pediu-me continuidade quando chegou ao décimo quarto verso e eu resolvi aceder ao seu pedido. .

      Um abraço solidário com a dor da sua perda

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  2. Excelente, como sempre.
    Boa noite, amiga Maria João.
    Um abraço.

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    Respostas
    1. Obrigada, Cheia!

      Venho mesmo agora do seu Sociedade Perfeita onde lhe deixei algumas palavras.

      Bom descanso, meu amigo

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