MEMÓRIAS DE ABRIL
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Imagem gerada pelo Chat GPT a partir da
leitura/processamento do poema
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MEMÓRIAS DE ABRIL
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Soneto de Coda
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No tempo em que se abriram tantas portas
Que os muros vacilaram e tombaram,
Fomos os alquimistas que assomaram
Do que antes fervilhava nas retortas
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Recolhemos do chão as folhas mortas
Dos medos que secaram e murcharam
E plantámos ideias que vingaram
Enchendo de esperança as nossas hortas
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Fomos meninos que, de extasiados,
Acreditámos ter na nossa mão
A força dos antigos condenados
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Que em tempos libertámos da prisão...
Hoje, meninos velhos e cansados,
Perdemos o vigor, nunca a paixão
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Que outrora nos tornou, da Paz, soldados
E op`rários em perfeita construção *:
Mortos, talvez, mas nunca derrotados!
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Mª João Brito de Sousa
29.01.2025 - 14.00h
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* Referência ao poema O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO de Vinicius de Moraes
„O Operário em Construção" de Vinicius de Moraes é um poema profundo que retrata a luta e a dignidade do trabalhador. Através das suas palavras, o autor convida- nos a refletir sobre a condição humana e a busca por um propósito na vida. O operário, que simboliza todos nós, está em constante construção, não apenas de edifícios, mas da sua própria identidade e sonhos. A obra destaca a importância do esforço e da perseverança, mostrando que, apesar das dificuldades, cada um de nós tem o poder de moldar o seu destino. É uma celebração da força do ser humano e de sua capacidade de transformação.
ResponderEliminarGostei de recordar o poema do autor brasileiro, assim como gostei de ler o poema da Maria João, sempre em luta política. O homem da imagem criada pelo I.A. lembra-me o Jerónimo de Sousa.
As minhas memórias de Abril são terríveis. A minha mãe morreu num dia 25 de Abril, uns anos mais tarde da revolução dos cravos.
Lamento que tenha tão tristes e terríveis memorias de Abril, Teresa. Eu, com o tempo, consegui reconciliar-me com Maio que me levou um filho durante um parto tão terrivelmente atribulado que prefiro nem falar sobre o assunto. Apenas acrescento que também eu estive em assistolia durante um longo período de tempo e, se ainda por cá ando, devo-o a uma jovem médica cujo nome lamentavelmente não consigo recordar.
EliminarEstamos em perfeita sintonia no que respeita ao fabuloso poema de Vinicius e, eu, que não sou de lágrima fácil, não consigo lê-lo ou ouvi-lo sem ficar com os olhos rasos de água.
No que respeita à imagem criada pela I.A., continuamos em sintonia pois confesso que também julguei ver Jerónimo de Sousa assim que ela me surgiu no ecrã..
Obrigada por gastar do meu soneto de Coda ou Estrambote. Há anos que não escrevia um soneto com este formato mas este pediu-me continuidade quando chegou ao décimo quarto verso e eu resolvi aceder ao seu pedido. .
Um abraço solidário com a dor da sua perda
Excelente, como sempre.
ResponderEliminarBoa noite, amiga Maria João.
Um abraço.
Obrigada, Cheia!
EliminarVenho mesmo agora do seu Sociedade Perfeita onde lhe deixei algumas palavras.
Bom descanso, meu amigo