ACORDEI - Reedição

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Imagem gerada pelo Chat-GPT 


a partir da leitura/processamento do poema


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ACORDEI
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"Tive pena, muita pena por ser dia"


E saber irreal quanto sonhara


Naquele instante-quase-alegoria


Dum ideal que sempre me guiara
*



Acordei tarde e cedo entenderia


As razões da tristeza em que acordara


Num mundo que eu pintara de alegria


E que em tragédias mil se me depara.
*



Em sonhos o criara e já perdia


Esse ideal de mundo, essência rara


Que em sonho e só em sonho existiria


Já que a realidade é sempre avara
*



E não nos dá sequer a garantia


De a madrugada vir a nascer clara


Depois da tempestade ou da avaria


Ou dos ventos que varrem a antepara
*



Da barca deste mundo. Que ousadia


Sonhar o que sonhei! Isto não pára,


Que os loucos de um poder que eu mal sabia


Vão abrindo uma f`rida que não sara
*


 


Maria João Brito de Sousa


21.06.2020 - 14.20h
*


Poema inspirado e criado a partir do último verso do poema "SONHEI..." de Joaquim Sustelo
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Comentários

  1. Boa tarde Maria João
    Neste poema dá voz ao descompasso entre o sonho e a realidade, num despertar amargo que revela a fragilidade dos ideais face ao mundo que nos cerca. Com versos melódicos e uma cadência clássica, a autora conduz-nos da ilusão luminosa à consciência sombria, num lamento contido mas profundamente humano.
    A lucidez dói, mas não silencia o direito,e talvez a ousadia, de continuar a sonhar.
    Bom domingo.
    Deixo um beijo.
    :)

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  2. "A lucidez não silencia o direito e a ousadia de continuar a sonhar". Sim, sem dúvida, Piedade

    Muito obrigada pela sua sempre brilhante leitura deste poema que nasceu do último verso do poema Sonhei do poeta e amigo Joaquim Sustelo.

    Bom Domingo e outro beijo

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  3. Escreveu António Gedeão que «o sonho comanda a vida». Se ele fosse vivo agora, ainda escreveria que «o mundo pula e avança / como bola colorida / entre as mãos de uma criança»? Nos tempos que correm, o mundo parece estar, não a avançar, mas a retroceder aos tempos imediatamente anteriores à 2.ª guerra mundial. A única diferença, é a de que os poderosos atuais têm armas muito mais perigosas do que as que tinham os seus pais ideológicos do séc. XX.

    A Maria João não deixe de sonhar, apesar de tudo.

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  4. Por vezes temos sonhos tão bons que ao acordar sentimos pena da realidade ser tão diferente. Também já me aconteceu!
    Sonhar acordada é preciso, pois o sonho dá-nos sentido à vida.
    Porque não? Não deixe nunca de sonhar.
    Beijinhos, querida Maria João.

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  5. Já não sei se é noite ou dia, o mudo de tal modo escureceu, que até o sol encolheu.

    Um abraço.

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  6. Não, não deixarei de sonhar, Fernando, obrigada.

    Quanto à Pedra Filosofal, não sei se Gedeão a escreveria debaixo desta tremenda tensão em que vivemos, uns mais conscientes do que outros. Sei que a escreveu quando estávamos sob a patorra do estado novo... Reconheço que o peso, o risco e a pressão eram então enormes, mas os que ousavam fazer frente aos tramos e tiranetes estavam imbuídos de uma força e de uma esperança que só morreria com eles. Havia também o hálito gélido da Guerra Fria, cheio de armadilhas, intrigas e inverdades que aumentavam a tensão que então se vivia...

    Não posso afirmá-lo com segurança, mas talvez o grande poeta escrevesse, num dia, algo semelhante ao MONSTRO que ontem escrevi e publiquei e, no outro, para que o Sonho não morresse nem se perdesse na escuridão, talvez nascesse a Pedra Filosofal...

    Quem sabe o que vai na Alma/Musa de um poeta? Eu nem os meus próprios poemas consigo prever. A maioria deles nascem de um impulso que não sei nem tento travar...

    Um abraço

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  7. Não, não deixarei de sonhar, Janita, obrigada.

    O Sonho, sobretudo o sonho que pode transformar-se em objectivo e/ou sentido de vida, faz-nos muito mais falta do que aquilo que imaginamos.

    Beijinhos, querida amiga

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  8. Não deixe que a escuridão lhe roube o Sonho nem o , Cheia!

    Nenhum de nós quer "morrer de véspera" e eu ainda não deixei de acreditar que as manifestações dos povos contra as guerras e massacres possam ter algum peso no destino do mundo.

    Outro abraço


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