ACORDEI - Reedição
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Imagem gerada pelo Chat-GPT
a partir da leitura/processamento do poema
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ACORDEI
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"Tive pena, muita pena por ser dia"
E saber irreal quanto sonhara
Naquele instante-quase-alegoria
Dum ideal que sempre me guiara
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Acordei tarde e cedo entenderia
As razões da tristeza em que acordara
Num mundo que eu pintara de alegria
E que em tragédias mil se me depara.
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Em sonhos o criara e já perdia
Esse ideal de mundo, essência rara
Que em sonho e só em sonho existiria
Já que a realidade é sempre avara
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E não nos dá sequer a garantia
De a madrugada vir a nascer clara
Depois da tempestade ou da avaria
Ou dos ventos que varrem a antepara
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Da barca deste mundo. Que ousadia
Sonhar o que sonhei! Isto não pára,
Que os loucos de um poder que eu mal sabia
Vão abrindo uma f`rida que não sara
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Maria João Brito de Sousa
21.06.2020 - 14.20h
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Poema inspirado e criado a partir do último verso do poema "SONHEI..." de Joaquim Sustelo
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Boa tarde Maria João
ResponderEliminarNeste poema dá voz ao descompasso entre o sonho e a realidade, num despertar amargo que revela a fragilidade dos ideais face ao mundo que nos cerca. Com versos melódicos e uma cadência clássica, a autora conduz-nos da ilusão luminosa à consciência sombria, num lamento contido mas profundamente humano.
A lucidez dói, mas não silencia o direito,e talvez a ousadia, de continuar a sonhar.
Bom domingo.
Deixo um beijo.
:)
"A lucidez não silencia o direito e a ousadia de continuar a sonhar". Sim, sem dúvida, Piedade
ResponderEliminarMuito obrigada pela sua sempre brilhante leitura deste poema que nasceu do último verso do poema Sonhei do poeta e amigo Joaquim Sustelo.
Bom Domingo e outro beijo
Escreveu António Gedeão que «o sonho comanda a vida». Se ele fosse vivo agora, ainda escreveria que «o mundo pula e avança / como bola colorida / entre as mãos de uma criança»? Nos tempos que correm, o mundo parece estar, não a avançar, mas a retroceder aos tempos imediatamente anteriores à 2.ª guerra mundial. A única diferença, é a de que os poderosos atuais têm armas muito mais perigosas do que as que tinham os seus pais ideológicos do séc. XX.
ResponderEliminarA Maria João não deixe de sonhar, apesar de tudo.
Por vezes temos sonhos tão bons que ao acordar sentimos pena da realidade ser tão diferente. Também já me aconteceu!
ResponderEliminarSonhar acordada é preciso, pois o sonho dá-nos sentido à vida.
Porque não? Não deixe nunca de sonhar.
Beijinhos, querida Maria João.
Já não sei se é noite ou dia, o mudo de tal modo escureceu, que até o sol encolheu.
ResponderEliminarUm abraço.
Não, não deixarei de sonhar, Fernando, obrigada.
ResponderEliminarQuanto à Pedra Filosofal, não sei se Gedeão a escreveria debaixo desta tremenda tensão em que vivemos, uns mais conscientes do que outros. Sei que a escreveu quando estávamos sob a patorra do estado novo... Reconheço que o peso, o risco e a pressão eram então enormes, mas os que ousavam fazer frente aos tramos e tiranetes estavam imbuídos de uma força e de uma esperança que só morreria com eles. Havia também o hálito gélido da Guerra Fria, cheio de armadilhas, intrigas e inverdades que aumentavam a tensão que então se vivia...
Não posso afirmá-lo com segurança, mas talvez o grande poeta escrevesse, num dia, algo semelhante ao MONSTRO que ontem escrevi e publiquei e, no outro, para que o Sonho não morresse nem se perdesse na escuridão, talvez nascesse a Pedra Filosofal...
Quem sabe o que vai na Alma/Musa de um poeta? Eu nem os meus próprios poemas consigo prever. A maioria deles nascem de um impulso que não sei nem tento travar...
Um abraço
Não, não deixarei de sonhar, Janita, obrigada.
ResponderEliminarO Sonho, sobretudo o sonho que pode transformar-se em objectivo e/ou sentido de vida, faz-nos muito mais falta do que aquilo que imaginamos.
Beijinhos, querida amiga
Não deixe que a escuridão lhe roube o Sonho nem o , Cheia!
ResponderEliminarNenhum de nós quer "morrer de véspera" e eu ainda não deixei de acreditar que as manifestações dos povos contra as guerras e massacres possam ter algum peso no destino do mundo.
Outro abraço