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O ESTRANHO CASO DA MULHER QUE SEMEAVA COMETAS I,II E III

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O caso da Mulher-Que-Traz-Cometas (porque assumiu a sua condição e vive nesta humana dimensão sonhando o Paraíso dos Poetas)   É um caso verídico, actual E nada, mesmo nada, a mudará. Será cometa enquanto andar por cá (embora o mundo seja virtual...)   A Semeia-Cometas sempre o foi... Por mais que o mundo toque onde lhe dói, Tem o seu testemunho pr`a passar.   A mulher traz cometas nos seus braços E alheia a confusões e a cansaços Continua entre nós a semear...   (continuação)   Continuação do caso verdadeiro Da Mulher-Dos-Cometas-Virtuais: - A história já vendeu tantos jornais Que acabou por correr o mundo inteiro!   Tanta tinta correu por causa dela E tantas edições foram esgotadas, Que até duas velhinhas entrevadas Vieram a correr para a janela!   Procura-se a Mulher-Que-Traz-Cometas! Consta que, em tempos, teve tranças pretas E veste sem requinte e sem cuidado.   Procura-se por excesso de verdade. Procura-se por falta de vaidade. Procura-se por estar no mundo errado!   (epílogo)   ...

DE PASSAGEM VI

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Quantas vezes passei, quantas perdi O rumo desse Céu tão prometido... De novo uma passagem. Que sentido Faria eu se não estivesse aqui?   Por isso vou passando e aprendendo E semear a espr`rança é o meu rumo Porque me ergo e desenho a fio-de-prumo E em verso, traço e côr é que me acendo.   Vou de passagem. Tudo, tudo passa, Excepto o que nos move. Essoutra Graça É perene, constante, inevitável...   Quantas vezes cheguei, quantas parti, Melhor por cada corpo que "vesti", Mas ainda imperfeita, ainda instável...   À Velucia   (Imagem retirada da internet)

DE PASSAGEM V

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De passagem me vivo e me acrescento E, ao partir, estarei multiplicada No eco dos meus passos nesta estrada Que percorro sem sombra de lamento.   De passagem me sei e me procuro Semeando de mim por terra e mar. Por quanto recebi vos quero dar Um pouco do que sou... enquanto duro.   De passagem. Estou sempre de passagem E quase a terminar esta viagem Que a última estação é logo ali...   Adeus! Talvez: - Até ao meu regresso! A vós qu`inda ficais, eu nada peço Senão quanta ilusão de vós bebi...   Imagem - "Pã e a Gravidade da Maçã Verde"                  Acrílico sobre prancha                  76x57cm                  Maria João Brito de Sousa, 1999

O RASTO DO COMETA

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É devagar. É sempre devagar Que a cada amanhecer se segue um dia E devagar se exalta essa alquimia Porque o dia se fez para exaltar.   É sempre devagar que o sol se põe, Segundo este conceito muito nosso (e mais não vou dizer porque não posso...), E a noite se desdobra e se compõe   É sempre devagar que a tarde morre, É devagar que a lua se descobre E devagar, ainda, o mar se estende   Na areia preguiçosa de uma praia. Devagar o cometa, antes que caia, Deixa o rasto no céu e não se rende...   À Linhaseletras   Imagem - "Mátria" (obra adquirida)

ÀS VOSSAS PORTAS

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  Ele era o meu eleito entre os Poetas! Vivia amando tudo o que não tinha, Mas em qu`rendo o luar, o luar vinha Beijar as suas horas mais secretas...   Viveu para aprender até morrer, Aflorou os mistérios de outros céus E antes de partir, disse-me: - Adeus, Ainda tenho muito que aprender!   Por vezes nem sei mesmo se partiu Ou se ficou por cá... alguém sentiu Que as coisas permanecem mesmo mortas?   Por isso estamos juntos nestes versos, Criamos outros tantos universos E batemos, os dois, às vossas portas.   Ao poeta António de Sousa e à Ligeirinha.   Imagem - Fotografia tirada há cerca de dois meses à porta da "nossa" casa, na Rua Luís de Camões em Algés.      

EM CADA NOVO OUTONO...

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  EM CADA NOVO OUTONO   Sempre que for Outono, eu estarei lá, Nas folhas velhas, mortas e douradas, No murmurar das árvores cansadas, No Sol que se despede: - Eu volto já!   Há lágrimas no céu, de quando em quando, E o vento vai gemendo de mansinho Quando o Tempo prepara o seu caminho Para o novo Natal que vai chegando.   São crianças, as tardes e manhãs E as noites, a crescer, são como irmãs Do eterno labutar da nossa vida   E, a cada novo Outono, eu lá estarei Cantando o tal Natal que vislumbrei Na vida  que vivi tão  de fugida.     Maria João Brito de Sousa - 29.09.2008 - 11.30h   Imagem retirada da Internet

NÃO BRINCO MAIS!

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  Poder-me-ão dizer que faço aqui, Jogando o vosso jogo de paciência? Eu tive uma postura de indulgência, Mas sei que estou no jogo e não pedi!   No meio dos peões alguém estará Que, como eu, não sabe porque joga... Mas não vos falarei como quem roga! Jogai, jogai... enquanto eu  estou por cá.   Enquanto o jogo dura, eu pouco aprendo... De nada (ou quase nada) me arrependo! Se qu`reis jogar, eu quero colher flores!   Um dia, de repente, o jogo acaba... Não brinco mais! Eu sou como a cigarra E quero lá saber dos vencedores!   O LADO "MAUZÃO"   Não jogo mais!... mas posso ir poetando... Às vezes sou travessa, sei-o bem! É o meu "outro lado"... eu serei quem Sabe sempre o que quer mas nunca quando...   Quem nunca sabe quando irá parar, Quem sonha a tempo inteiro e sem fronteiras, Quem, como uma criança, faz asneiras E logo depois tem de as confessar...   À vezes mostro as garras, assanhada, Eriço o dorso e fico tão zangada Que ameaço, esperneio e sou mazinha...   Eu te...