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DESERTOS

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Tu falas-me das horas que eu perdi E eu não sei se as perdi ou se as ganhei... Penso que fui vivendo e que me dei Aos caminhos que sempre percorri...   Tu falas-me das horas que eu vivi, Eu falo-te das coisas que não sei. E, mesmo não as vendo, caminhei, E, mesmo não sabendo, pressenti...   Tu falas-me das glórias prometidas. Eu falo-te das coisas preteridas Por outras que ficavam bem mais perto,   Por coisas que pareciam dispensáveis, Mas que sendo pequenas, vulneráveis, Poderiam perder-se no deserto...     Agradeço a vossa presença no http://free-stile.blogs.sapo.pt/   Uma palavra de conforto será sempre bem-vinda.      

E AGORA?

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E agora? – Foi a primeira coisa que pensou quando abriu a conta da banda larga daquele mês e os olhos lhe pousaram na descrição do débito total. Já estava na blogosfera havia mais de um ano e nunca uma simples conta de banda larga tomara aquelas proporções. Mais de cento e setenta euros! Exactamente menos nove euros do que o que recebia mensalmente do subsídio de inserção social e que, pagas as contas de água, luz e gás, mal lhe davam para jantar durante uma semana. Pousou a carta sobre o tampo da secretária e foi aos seus afazeres. Outras coisas a preocupavam naquele momento e, embora tendo vendido uma tela havia poucos dias, não conseguira pagar nem metade das dívidas que acumulara ao longo dos últimos meses. Lembrava-se do dia em que recebera o vale da última tela, de quão gratificada se sentira, da ilusão pontual de poder sobreviver com um mínimo de dignidade. Lembrava-se de ter corrido para a farmácia, para pagar uma parte da dívida, lembrava-se das outras contas que haviam acabad...

DOIS SONETOS DO DIA II

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De tudo o que não sei, eu quero mais! Eu quero a luz do sol, quero o luar! De tudo o qu `inda está por explicar Entre sábios e intelectuais   Eu quero `inda saber! Somos iguais Nesta sede de tudo qu`rer tocar, Neste eterno vaivém de procurar Por vias que não são muito normais…   Eu quero saber mais, sabendo bem Que a dúvida é a mola que contém A fórmula perfeita do saber…   Mas quero saber mais, apesar disso! Talvez seja um ser frágil, metediço, Mas eu quero aprender até morrer!   À Eva     À ESPERA DO SOL...   Chamei o Sol e o Sol disse que não... Não quis brilhar pr`a mim e fez-se caro. Dizer-me, o Sol, que não, é muito raro E foi, pr`a mim, uma desilusão...     Um dia eu tive o Sol na minha mão! Bastava uma canção ao Sol avaro, Uma simples chamada ou um reparo E tinha, desse sol, toda a atenção...     Agora estou tão velha e tão cansada Que chamo o Sol e o Sol não me diz nada Ou finge nem me ouvir e vai-se embora...     Chegou, em vez do Sol, a trovoada... Eu parei de c...

TRÊS SONETOS DO DIA II

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     FUTURO/FUTUROS...     Se o futuro se quer entre mentiras, Oculto em clandestinos ideais, Eu prefiro sonhar, como outros mais. Futuro, este sonhar tu não me tiras!     E se, acaso, Futuro, me surgiras Carrasco de quem sonha entre os demais, Se até estes meus sonhos virtuais, Tu quisesses calar e me puniras,     Eu calaria, então, a minha voz Nas mãos certeiras de um futuro algoz Que nega a liberdade de expressão,     Mas, antes de calar-me, eu deixaria Alguém que a ti, depois, te julgaria Num futuro qualquer, mais nobre e são!       É PARA AMANHÃ...     Eu hei-de ir amanhã! Amanhã vou Ao médico, ao mercado, a cada espaço Onde possa levar-me este cansaço Que me não deixa ir onde não estou...     Eu hei-de ir amanhã! Não fui, nem sou, Mulher de desdizer-se. Eu digo e faço! Hoje é que já não dou nem mais um passo E este amanhã de ontem já passou...     Este meu "amanhã" [sempre inseguro...], Um dia há-de ser "hoje" e, de futuro, Eu hei-de, certamente, ter descanso....

RESPOSTAS, RESPOSTAS,RESPOSTAS...

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As coisas que me vão nesta cabeça! Aquilo que aqui vou apreendendo, Aquilo que não sei nem compreendo Enquanto o puzzle cresce, peça a peça...   Hei-de continuar. Não tenho pressa. Talvez daquilo qu`inda não entendo Me venha a explicação e o diferendo Se venha a revelar uma promessa...   Talvez haja uma forma, uma maneira, De encontrar a resposta, toda inteira, Que me transforme o jogo em solução...   Talvez, numa jogada, encontre a chave Ao puzzle que há em mim e que eu não trave Quando esteja, a resposta, em minha mão...     Imagem retirada da internet      

PERGUNTAS, PERGUNTAS, PERGUNTAS...

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  Poeta! Eu hei-de sempre ser poeta! Serei irmã do vento e voz do povo! Depois irei dormir, cantar de novo Até que atinja, enfim, a minha meta.   Não mais serei "poeta de gaveta" Na cósmica visão do próprio ovo! Poeta porque o sou e porque o provo Nos versos que desenho a tinta preta.   - Pr`a que sevem poemas se os não comes? Porque escreves assim, sem ter descanso E não pensas, sequer, mudar de vida?   [Alguém que quis saber das minhas fomes, Deste meu vago olhar de bicho manso, Desta figura exausta e mal dormida...]     Imagem retirada da internet          

... EM MIM DISPERSO...

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É neste absurdo autismo-imaculado Em que me dou bem mais que o que vos dais, Em que descrevo, em traços virtuais, Tanto a virtude, quanto o meu pecado,   Em que pinto o que escrevo e, sem cuidado Em disfarçar-me, algures, entre os demais, Em que me entrego em estranhos rituais Que incluem dia, hora e passo dado...   Aqui, nesta nudez em que me assumo, Que tento condensar neste resumo Que, impúdico, me expõe a vida em verso,   Aceitam-se as perguntas que puserdes... Eu passo a responder, se assim quiserdes, Com a voz deste mundo em mim disperso...